Rodrigo Neves completa, no final de 2017, cinco anos à frente da Prefeitura de Niterói. Em um ano complicado economicamente para o País e, principalmente, para o Estado do Rio de Janeiro, a Cidade, chefiada pelo mais recente filiado do PDT, passou ilesa pela crise e ainda foi capaz de realizar importantes obras e fechar significativas parcerias para o município.

Em entrevista exclusiva ao jornal Folha de Niterói, o prefeito Rodrigo Neves fez um balanço do seu governo neste ano.

Folha de Niterói: Apesar da crise que assola a maioria dos municípios fluminenses e o próprio Governo do Estado, a cidade está com as contas em dia e sua gestão está tirando obras importantes do papel. Qual é a receita para tantos investimentos neste cenário adverso?

Rodrigo Neves: Isso se deve aos esforços de modernização e maior eficiência do gasto público promovidos pela gestão. De acordo com um levantamento da Frente Nacional de Prefeitos, a cidade conquistou o primeiro lugar em índice de investimentos por habitante. Lançamos, no final de 2016, o Niterói Mais Resiliente, um plano de austeridade com 47 medidas estruturadas em cinco eixos, que incluem projetos de lei, decretos e ações de gestão. Um ponto muito importante desse programa é que ele não contempla aumento de impostos ou cortes em programas sociais. Com o ajuste fiscal, foi possível uma economia de cerca de R$ 68 milhões, sem prejudicar o andamento da máquina pública.

F.N.: Quais realizações o senhor destaca neste primeiro ano do seu segundo mandato?

R.N.: Em 2017, entregamos à população uma série de importantes obras para Niterói. Inauguramos o túnel Charitas-Cafubá, a maior obra dos últimos anos na cidade, prometida e esperada há mais de 70 anos pelos niteroienses. Em parceria com a Ecoponte, inauguramos o Mergulhão José Vicente Filho, que tem melhorado a mobilidade na região. Reabrimos o Parque das Águas Eduardo Travassos, revitalizado, uma área de lazer na parte central de Niterói. Também inauguramos o maior bicicletário público do país, intensificando a política de mobilidade sustentável, que hoje é uma marca da nossa cidade.

F.N.: Niterói também contabilizou importantes entregas relacionadas a questões que são de competência do Estado, como a segurança pública. Por que foram adotadas essas medidas?

R.N.: O Governo do Estado está enfrentando uma crise sem precedentes, que afeta a prestação de serviços essenciais. A Prefeitura de Niterói não poderia ficar de braços cruzados diante deste cenário. Por isso, no início deste ano reabrimos o restaurante popular, de extrema importância para a alimentação de milhares de pessoas. Também reabrimos a Biblioteca Parque de Niterói e estamos recuperando a RJ-100. Em 2016, a Prefeitura assumiu a manutenção do Sistema de Alerta e Alarme por Sirenes em 25 comunidades, após o governo estadual informar que não poderia mais arcar com os custos do serviço. Niterói conta hoje com 30 plataformas do sistema, com o propósito fundamental de preservar vidas em caso de chuvas fortes e riscos de deslizamento. Na área de Segurança Pública, prioridade para os niteroienses, pagamos gratificações aos policiais e investimos no Proeis, programa em que paga hora extra aos policiais para aumentar o patrulhamento nas ruas. Em dezembro, demos início ao Niterói Mais Segura, que garantirá reforço de mais 302 agentes nos locais com maior concentração de pedestres, como Icaraí. O Niterói Mais Segura será totalmente financiado com recursos da Prefeitura, que investirá R$ 25 milhões por ano no programa.

F.N.: Quais são as principais metas para o próximo ano?

R.N.: Vamos continuar olhando para a Cidade com uma visão holística, priorizando a gestão integrada, responsável e comprometida com os niteroienses. No âmbito da mobilidade urbana, concluiremos a Transoceânica e o alargamento da Avenida Marquês do Paraná, que vai acabar com o gargalo na ligação do Centro com a Zona Sul, e vai contribuir com o aumento da malha cicloviária. Na Região Oceânica, começam, no primeiro semestre, as obras de drenagem, infraestrutura, urbanização e pavimentação dos bairros Boavista, Engenho do Mato, Maravista, Serra Grande, Jacaré (Avenida Frei Orlando) e Santo Antônio. Daremos início à revitalização do calçadão da Praia de Piratininga e ao plantio de 20 mil mudas como contrapartida ambiental da TransOceânica. Estamos preparando também a entrega, em 2018, da Umei do Preventório, e do Vale Feliz, no Engenho do Mato. As obras da Ete do Sapê, que começamos esse ano, serão concluídas. Haverá concursos para a Guarda Municipal e para a Controladoria Geral do Município (CGM). Também daremos início à revitalização do Mercado Municipal Feliciano Sodré, no Centro. Ainda em termos de economia, teremos ampliação de 25% da receita municipal. Também daremos continuidade ao investimento no setor audiovisual, inclusive, com a entrega do auditório multiúso no prédio anexo ao Reserva Cultural.  

F.N.: Em novembro, o senhor anunciou que criará uma reserva de receitas com 10% dos recursos provenientes dos royalties. Por que essa decisão?

R.N.: A partir de 2018, Niterói terá uma oportunidade histórica com a ampliação das receitas de royalties que, entretanto, são finitas e extraordinárias. A cidade é o segundo município do Estado com maior volume de royalties. Não podemos cometer os mesmos erros, inclusive do Estado do Rio, que nos últimos anos viveu com recursos de royalties sem pensar no futuro. Por isso, vamos reservar 10% desta receita extraordinária. Esse dinheiro só poderá ser utilizado quando a cidade deixar de receber royalties. Isso quer dizer que vamos abrir mão de aplicar R$ 250 milhões em investimentos no município para guardar nessa reserva e garantir que daqui a 20 anos, quando não houver mais essa arrecadação, a cidade tenha dinheiro em caixa para que possa, com tranquilidade, fazer uma transição para uma nova fonte de receita. Isso é uma mudança no paradigma da gestão fiscal no país.

F.N.: O senhor anunciou que não será candidato nas eleições do próximo ano. O que o levou a tomar esta decisão?

R.N.: Três eixos me levaram a esta decisão. Pesou muito a vontade da minha família, que sempre foi contra minha candidatura no próximo ano. Além disso, sou muito grato à população de Niterói, que depositou em mim a confiança para continuarmos nosso trabalho na cidade, pela qual sou apaixonado. Mesmo na contramão das possibilidades políticas que se apresentaram, quero completar a gestão municipal, honrando o compromisso que assumi com os niteroienses. O terceiro ponto é que, tenho certeza, os próximos três anos serão ainda melhores que os últimos. Niterói vai seguir em frente para ser a melhor cidade do Brasil para se viver e ser feliz.

F.N.: O senhor também é o presidente do Consórcio Intermunicipal do Leste Fluminense (Conleste), que reúne outros 15 municípios. Quais são as expectativas para esta região?

R.N.: O Leste Fluminense tem hoje o maior potencial de crescimento do Estado, quiçá do país. Juntos, os municípios da região têm PIB equivalente ao do Mato Grosso do Sul. Precisamos potencializar as oportunidades que serão criadas pela retomada da implantação da Unidade de Processamento de Gás do Comperj, no próximo ano, quando começará a geração de aproximadamente 6 mil empregos. Traçamos um plano de desenvolvimento com foco na melhoria da qualidade de vida da população. Nossa ideia é aproveitar as vocações naturais de cada local, e buscar soluções conjuntas para as cidades que integram o consórcio.