Andréa Ladislau, psicanalista

A modernidade nos trouxe avanços tecnológicos e muitas facilidades, mas também apresenta, infelizmente, uma triste realidade: doenças que são consideradas novas variantes de distúrbios existentes, causadas pelo uso excessivo da tecnologia. Destaca-se entre elas os problemas de memória, a náusea digital, a ansiedade pelo fato de estar offline, entre outras.

As doenças mais frequentes são: transtorno da dependência da internet que possui como um de seus sintomas aquela vontade descontrolada de acessar sem nenhuma necessidade lógica. Podendo também estar associada a outros problemas como a depressão, a ansiedade social, o transtorno de déficit de atenção e o TOC (transtorno obsessivo compulsivo). Caracterizando-se, principalmente, pelo isolamento do indivíduo e o abandono de suas atividades rotineiras mais simples, como tomar banho e até mesmo comer.

Temos também a Nomophobia que significa receio ou pavor de ficar sem o telefone celular, movida pelo alto nível de ansiedade de manusear o dispositivo móvel. O indivíduo demonstra angústia e torna-se ansioso pelo simples fato de estar separado de seu aparelho, mesmo que em curtos períodos de tempo.

Outro sintoma típico é a Síndrome do toque fantasma, no qual o cérebro, que está condicionado ao uso excessivo da tecnologia, prega peças no indivíduo que tem sempre a sensação de que o aparelho está vibrando ou tocando, quando na realidade, são apenas breves delírios.

A náusea digital é a presença de vertigem ou desorientação que algumas pessoas desenvolvem quando interagem com alguns ambientes digitais. Especialistas afirmam que uma possível causa pode ser o movimento tridimensional dos ícones dos dispositivos tecnológicos.

Por fim, podemos destacar também, o Efeito Google. A facilidade de informações conseguidas em segundos e o fato de que, quase todas as nossas perguntas são respondidas em um clique, facilitou o armazenamento de dados on line e com isso nosso cérebro tornou-se mais lento e preguiçoso, arquivando cada vez menos informações e conhecimento.

O uso excessivo e a checagem a todo momento do celular, nas classificações de dependência patológica estão diretamente ligados a um Transtorno de Ansiedade. Portanto, mesmo a utilização excessiva do dispositivo, não necessariamente, pode ser considerado um vício, no entanto, o simples fato de manusear o aparelho pode dar ao indivíduo uma sensação de diminuição do nível desta ansiedade. Ações simples como, retirar o recebimento de e-mails dos celulares (que faz com que a pessoa não tenha mais hora para começar e nem terminar o trabalho) podem auxiliar na busca deste equilíbrio.

Podemos concluir que, o uso em excesso de qualquer coisa pode ser prejudicial se não estiver acompanhado de um certo equilíbrio nesta utilização. Porém, para afirmar que uma pessoa pode ser caracterizada dependente ou não de aparelhos eletrônicos ou internet, é preciso que esse usuário apresente algum tipo de sofrimento, direto ou indireto, relacionado a utilização excessiva além de uma dificuldade em se livrar do hábito. É necessário, portanto, investigar o que está por trás desse comportamento compulsivo e buscar ajuda profissional para adquirir novas praxes de vida.

Períodos desconectados também podem ajudar a reconquistar o equilíbrio, uma vez que a pessoa retorna a atenção para si mesmo, para os que estão ao lado e para todo ambiente ao seu redor. É o que chamamos de Detox Digital. Dessa forma, o indivíduo reencontra a estabilidade perdida no excesso de informação que provocou tanta ansiedade e cobrança a si mesmo. Vale lembrar que não é só com tecnologia que isso ocorre, mas com qualquer coisa em excesso. O equilíbrio e a moderação são importantes para tudo. O excesso sempre esconde uma falta.