| Quando o filho é um produto comercial Robson Motta Barros Um convite à reflexãosobre um estilo de estar mãe Parece-me que o tiro está saindo pela culatra. "Os machos procuraram criar culturalmente o que a Biologia não lhes garante: A certeza da paternidade. Para tal passaram a impedir que suas mulheres trabalhassem fora" esta é uma das teorias da professora de Antropologia da Universidade da Califórnia, Sarah Blaffer Hrdy, que acaba de lançar nos EUA o livro "Mother Nature: A History Of Mothers, Infants And Natural Selection" (sem tradução para o Português) para provar que o instinto materno é um mito. O amor da mãe pelo filho é construído e existe porque é desejado e não algo biologicamente obrigatório, natural. Que o ser humano é o único primata capaz e matar seu filho, tristemente sabemos, principalmente depois da publicação de "O Filicídio" de Arnaldo Rascovsky. A exigência de matança de filhos aparece, nas origens da cultura, como o requisito essencial para o estabelecimento de relações harmônicas entre o indivíduo (ou o grupo, ou a sociedade) e a divindade, como se pode ler nos Velho e Novo Testamentos. Na mitologia grega encontramos URANO e GEAS, sucessores de CAOS, encarregados de povoar o mundo. "URANO via sua prole com horror e , mal nasciam seus filhos, aprisionava-os nas profundezas da terra.". Entre os ÍNDIOS ACHÉ, da Amazônia, nascer sem cabelo é sinal de fraqueza e a criança é enterrada viva. No chamado Primeiro Mundo temos a história do pediatra britânico Roy Meadow que, desconfiado com os sucessivos casos de morte de bebês em hospital, colocou câmeras escondidas e flagrou dezenas de mães tentando sufocar seus filhos. Para o nosso artigo o que importa mais são os trabalhos do Dr. Thomas Verny, um médico canadense, estudioso das questões relacionadas com a vida intra-uterina. Ele mostra no seu livro "A vida secreta da criança antes de nascer", a importância da primeira relação afetiva entre a mãe e o filho, quando do período da gestação. Após o parto e os primeiros dias e semanas esta relação também forma a qualidade de vida da criança, tanto física quanto psíquica. E todos sabemos que a criança privada de afeto, contato direto pelo carinho, pela voz da mãe, pelos cuidados sinceros, entra no estado de marasmo, palavra de origem grega que significa decadência ou paralisação. Até o início do século XX ela foi responsável por 100% das mortes de crianças abandonadas. A que ponto queremos chegar? Começamos pelo desejo dos homens em assegurar que eram eles mesmos os pais. Hoje o teste de DNA não deixa dúvidas. Passamos pela realidade do relacionamento humano entre pais e filhos, mostrando que somos os únicos animais com impulso de destruir a prole e, finalmente, concluímos que, sem desejar do fundo do coração um filho, sem a capacidade de amá-lo incodicionalmente, isto é, independente de qualquer vantagem além do profundo sentimento de amor verdadeiro, estaremos fazendo chegar ao mundo, seres que, com certeza, serão sementes de desajustes familiar e social. Então, como ficam estes pequeninos seres que chegam ao mundo através de mães que deles fazem um negócio lucrativo? Seres que evoluem no útero de mulheres que contabilizam o que eles vão significar em saldo bancário altamente positivo? Isto não seria uma sutil violência? Um Felicídio mascarado? Ficamos tristes quando lemos que jogadores de futebol, famosos e ricos, estão lutando na justiça contra pensões elevadas para os filhos por mulheres que não são mais parceiras, pois parecem centrar toda sua busca no dinheiro, para viver uma vida financeira fácil. Será o caso também badalado da modelo lutando para receber mais dólares por mês? Parece que sim, mas esperamos que não. E as garotinhas lindas, com corpos sarados buscando, no silêncio, engravidar dos cinquentões empolgados e embasbacados para garantir o mesmo objetivo? Vida financeiramente fácil, através do filho que significa seguro-desemprego ou seguro-luxúria. Nestas crianças, frutos do desamor humano e do amor ao dinheiro, e nos seus futuros, é que nós pensamos. Rascovsky, Verny, Leboyer e muitos estudiosos do comportamento humano afirmam que é grande a chance tanto da delinqüência juvenil quanto desajustes psicológicos graves durante a vida. Vamos fechar lembrando que, felizmente, a grande maioria das mães se comporta com Renata, em cujos braços eu vi recém-nascida Giulia. Ao lado do esposo Fabrício e dos avós Amparo e Salvador, seus olhos brilhavam. Seu rosto sorria enquanto seu bebê, agasalhado pelo carinho, com expressão de paz e ternura, poderia estar dizendo mas, com certeza sentindo: "Obrigada, meu Deus, por me trazer para uma verdadeira mãe". |
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