| Velha Guarda
O resultado da recente convenção
que homologou o nome de Godofredo Pinto para compor como vice a chapa do PDT, que terá
Jorge Roberto Silveira como candidato à reeleição, deixou feridas abertas e que talvez
não cicatrizem.
O placar apertado pró-Godofredo, com apenas quatro votos de diferença, surpreendeu o grupo do vereador Rodrigo Neves, que até o momento se recusa a aceitar o resultado. Desse episódio, pode-se tirar várias conclusões: a primeira, foi o erro primário do vereador Rodrigo de fazer uma campanha para fora do partido. Buscou apoio de deputados, de dirigentes do partido, produziu um elaborado jornal de campanha, mas esqueceu da base do partido, aquela que não se influencia com faixas, jornais e mídia. A base do partido só vê o partido, o que é melhor para ele, e não tem visão personalista. Rodrigo tropeçou na soberba, na prepotência e na arrogância; é um menino de talento, mas talvez a pouca idade o tenha traído. Godofredo, além de esbanjar humildade desde o início da disputa, coisa que faltou ao seu adversário, se colocou apenas como postulante ao cargo, fez o trabalho da formiga. Trabalhou, e muito. Fundador e presidente do CEP por oito anos, além de deputado estadual, Godofredo usou toda a sua experiência para reverter um quadro que se mostrava adverso. Ele não fez faixa, nem jornal, mas soube tocar fundo no militante do PT. Aquele militante que estava afastado do partido, cansado de ver o que está acontecendo agora, essa briguinha de quem ganhou e de quem perdeu, muito própria do PT. Esse militante, saiu de casa porque entendeu que o projeto de ter um nome participando do governo envolvia a cidade e não se tratava apenas de uma aventura pessoal. Enquanto Rodrigo fazia a divisão de quem seria o quê, entre o grupo de Alaor e o de Tânia, Godofredo costurava a sua vitória. Rodrigo ainda protagonizou o que talvez tenha sido o seu maior erro. Caracterizou o adversário como sendo representante da "velha guarda" do partido. E foi essa velha guarda que deu a vitória a Godofredo. Os "Bad Boys" terão que esperar um pouco mais. Outra conclusão que se pode chegar, é a de que o grupo que apoiava a candidatura de Rodrigo só estava preparado para a vitória. Esse grupo deu durante toda a semana uma demonstração inequívoca de que a democracia, para eles, só vale quando se ganha; quando se perde, alguém foi roubado, ou houve irregularidades. Isso é, no mínimo, falta de reconhecimento das próprias limitações. Esse grupo quer melar o resultado e Rodrigo esteve em São Paulo fazendo queixas ao presidente nacional do partido, José Dirceu. Esqueceram, por exemplo, da união partidária que tanto pregaram e da importância da aliança para a cidade. Desse jeito, nem união partidária e muito menos aliança. Outro comportamento que chamou atenção foi o da deputada Tânia Rodrigues. A deputada pareceu ter ficado desorientada com a derrota. É verdade que a deputada contabilizou a sua segunda derrota nos últimos meses dentro do partido. Perdeu, quando defendeu a tese da candidatura própria, e, agora, perdeu novamente quando colocou o peso e o prestígio de seu apoio a serviço de um candidato e foi derrotada. Tânia, que no meio da semana ameaçou deixar o partido, nem de longe parece aquela vereadora combativa que se elegeu deputada apenas com dois anos de mandato. A deputada, quando diz que não apoiará a candidatura de Jorge Roberto Silveira apenas porque o seu candidato não venceu, não só está fazendo o jogo da direita como dá uma demonstração de que consistência ideológica é uma coisa que ela nunca teve, ou se teve, já esqueceu. Ficou parecendo que a briga era apenas pelo poder. Será? Agora, resta ao vencedor Godofredo Pinto tratar das feridas, tentar trazer o maior pedaço possível do partido para, afinal, concretizar a aliança em torno de Jorge Roberto Silveira. Com certeza, será uma tarefa das mais difíceis. Tarefa para a "velha guarda". Igual Os servidores estaduais da área de saúde que foram municipalizados tiveram uma boa notícia esta semana. O presidente da Câmara Municipal de Niterói, Fernando de Oliveira Rodrigues (PDT), enviou requerimento solicitando a equiparação desses servidores com os estaduais, que tiveram aumento dado pelo governador."O governador esqueceu dos funcionários municipalizados, e isso nós precisamos corrigir. Vamos criar uma comissão de vereadores para acompanhar a situação desses funcionários junto à Secretaria de Saúde", finalizou Fernando de Oliveira. Na sessão de quarta-feira passada, os líderes de cada partido indicaram os representantes para essa comissão e a presidência ficará a cargo do vereador Comte Bitencourt (PSB). De volta Esta semana, o ministro chefe da Secretaria de Comunicação da presidência da República, Andrea Matarazzo, deu um susto em toda a comunidade jornalística.O ministro, do alto de seu prestígio, extrapolou e tentou impedir uma entrevista com o líder sem-terra, João Pedro Stédile, que iria ao ar no programa "Opinião Brasil" da TV Cultura de São Paulo. A direção da TV Cultura, considerando que a atitude do ministro atentava contra a liberdade de imprensa, ignorou a "sugestão". É o fim da picada, no ano 2000, vir um ministro querer proibir a divulgação de uma entrevista de um líder comunitário. Se o governo sabe ou não lidar com a questão da terra e com o MST é uma coisa, agora, pegar o telefone para dizer o que pode e o que não pode ser divulgado, é dose. O ministro Matarazzo remeteu a todos de boa memória para os tempos negros da ditadura. Vade in retro! |
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