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Edição
643 -
Semana de 15 a 21 de dezembro de 2007
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Uma grande oportunidade perdida
O
Senado Federal, em particular, e a classe política, em geral,
perderam uma grande oportunidade de, com apenas uma ratificação
no plenário do Senado, recolocar nos trilhos da seriedade e da
ética a maior Casa do Legislativo brasileiro. Para tanto,
bastaria que o PMDB optasse pela indicação do nome do senador
gaúcho Pedro Simon para a presidência do Senado. Desde a semana
passada, quando o então presidente Renan Calheiros, cumprindo
sua parte no acordo que o salvaria da cassação, renunciou ao
cargo quando ainda tinha pouco mais de um ano de mandato, o PT
corre para aprovar a CPMF, uma questão de honra para o governo e
em particular para o presidente Lula.
Para o governo que já empenhou mais de um bilhão e meio de reais
para garantir os votos que precisa, o que interessa é a vitória,
e para isso precisava de um presidente no Senado que fosse
simpático à aprovação da emenda. Quando, no fim da semana
passada, os senadores Eduardo Suplicy, do PT, e Cristovam
Buarque, do PDT, conseguiram 29 assinaturas favoráveis ao nome
de Simon, acendeu o sinal vermelho no Palácio do Planalto e no
gabinete da liderança do PT no Ssenado. O governo rapidamente
retirou da pauta a votação da CPMF e tratou de articular nos
bastidores outro nome que fosse mais palatável do que o do
senador gaúcho. Até aqui, tudo normal: jogadinhas dali,
rasterinhas daqui, é o joguinho político brasileiro, essa
coisinha pequena, do tamanho da maioria dos parlamentares que
ocupam o Congresso Nacional.
Depois de ter um Jader Barbalho e um Renan Calheiros na
presidência, seria a hora de dar um choque de gestão
apresentando, enfim, um nome de peso, de respeito, intocável.
Mas não aconteceu. O escolhido Garibaldi Alves, de Rondônia, é o
novo presidente do Congresso Nacional. O senador Pedro Simon,
com seus mais de 20 anos de Casa, se adiantou e, mesmo
agradecido com o apoio declarado de 29 colegas, ironizou o
governo e o seu partido, o PMDB. Simon disse ser “impensável”,
anos atrás o que se está vendo agora, o empenho do presidente
Lula em fazer do ex-presidente José Sarney o novo presidente do
Senado. “Eu acho a intromissão do Lula pouco feliz. Quem diria,
dez anos atrás, que Lula apresentaria como seu candidato, como
homem de sua confiança, para caminhar junto” o Sarney? Vejam
como houve uma evolução, o Lula evoluiu. O Sarney também não é
mais o presidente da Arena do governo militar”, comentou Pedro
Simon.
O senador lembrou que nesses anos todos o PMDB nunca o indicou
para nenhuma comissão ou sequer para a Mesa Diretora da Casa, e
que, portanto, não existia nenhuma possibilidade dele vir a
disputar a presidência do Senado como um candidato avulso, e
muito menos como um um candidato de oposição. Como homem de
partido que é só, seria candidato com a indicação do PMDB. Mas
como todos sabem como é esse PMDB, partido de sustentação do
governo Lula, ávido por cargos, por benesses e pela proximidade
com o poder, a legenda não iria jamais indicar um parlamentar
como Simon. Para o PT, então, seria um verdadeiro desastre. A
saída, portanto, era encontrar um nome que, mesmo sem ser o
ideal, contemplasse os dois lados. Daí a evolução para o nome do
senador Garibaldi Alves não foi muito difícil. Garibaldi é da
escola de “quanto mais dificuldades se planta, mais facilidades
se colhe”, aliás, a escola de Sarney, Jader, Renan e muitos
outros. Não é muito simpático ao PT, mas com a recusa de José
Sarney, era o nome que se apresentava mais fácil de digerir.
Além disso, Garibaldi era a favor da CPMF e já tinha dito isso
ao presidente Lula. Ou seja: seu passaporte já estava carimbado
com timbre do Palácio do Planalto, o que não é pouca coisa. Na
hora da votação, deu o esperado Garibaldi venceu Simon por 13
votos a seis.
Nesse processo todo, destaque para a iniciativa dos senadores
Eduardo Suplicy e Cristovam Buarque, que mostraram mais uma vez
que têm visão de futuro, que não compactuam com a coisa errada,
com a intromissão do Executivo em questões do Legislativo, e
que, mais do que nunca, estão no Senado para servir, não para se
servirem. São poucos, mas existem.
O senador Pedro Simon sabia que não seria indicado pelo partido,
que está afastado do comando da legenda. “Tenho a modéstia de
entender que sou MDB muito antes de Sarney, Renan ou Lula. Mas
tenho que reconhecer que hoje o MDB é esse. E o Pedro Simon é
uma figura estranha a isso. Não faço parte dos esquemas do
PMDB.” Agora, com a CPMF reprovada, o governo perde mais 40
bilhões para aplicar um percentual ridículo na Saúde e continuar
financiando o maior projeto assistencialista que o Brasil já
teve: o Bolsa-Família.
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