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Dor: é preciso estar atento aos sinais
Quando abrir a boca, bocejar ou mastigar
passa a ser algo doloroso é hora de prestar atenção nos sinais
que o corpo emite e procurar tratamento adequado. Dores agudas
ou crônicas na boca e na face podem ser indicativos de doenças
nas articulações, dentes, gengivas, faringe, músculos, vasos ou
nervos. As chamadas dores orofaciais às vezes se espalham pelo
pescoço, cabeça e ouvidos e podem ocorrer por seqüela de traumas
ou ser o primeiro sintoma de um câncer.
"O dentista precisa ser especializado na
área, também possuir amplo conhecimento para fazer um
diagnóstico preciso e indicar o devido tratamento", diz o
especialista em Dor Orofacial, Disfunções da ATM e Endodontia,
também doutor em Patologia e doutorando em Neurociências pela
UFF Paulo A. Pimentel Jr. Segundo ele, o ideal seria que
existisse uma residência médica, já que o número de horas de uma
especialização corresponde a 600 e o de uma residência a 3 mil
horas. Mas não basta concluir somente a especialização, nesse
campo de estudo, é preciso que a pesquisa seja uma constante na
vida do profissional.
Além da dor orofacial, a disfunção da ATM, ou
seja, da articulação têmporo-mandibular, também provoca dores,
mais sensação de pressão, aperto, estalos, crepitações,
latejamento e pontadas ao abrir a boca, mastigar ou bocejar.
Tais dores podem ser causadas pelo bruxismo (apertar ou ranger
de dentes) noturno ou diurno e geralmente é acompanhada de dores
no pescoço e zumbidos.
Fumo e bebida
favorecem o câncer
Uma questão que chama atenção é o fato do
difícil diagnóstico do câncer de boca, já que a manifestação se
assemelha a outras enfermidades, confundindo o diagnóstico.
"Normalmente o câncer é indicado por sinais como úlcera, manchas
vermelhas ou brancas e dor. Os mais comuns são os da base da
língua e da garganta, eles provocam dor em volta do ouvido, mas
é preciso descobrir a origem dela por meio de exames", explica
Pimentel. Geralmente o câncer em estágio inicial não provoca
dor. Porém, alguns pacientes mais sensíveis podem apresentar o
sintoma e, logo tratados, obtêm resultados satisfatórios. De
acordo com o mestre em Patologia Bucal, pessoas acima dos 50
anos de idade, que fumam ou bebem, têm mais chance de
desenvolver a doença.
De uma forma geral, Paulo Pimentel diz que a
dor, seja ela qual for, é uma epidemia, porque atinge grande
parcela da população. Devido a essa incidência, as pessoas
tendem a não procurar um profissional e passam a aceitá-la
passivamente. "O que normalmente era para ser um indicativo se
torna doença. A dor fisiológica protege o organismo, indica a
causa de uma infecção ou inflamação. Já a nociva não, ela se
estabelece em um órgão de resistência diminuída e persiste",
esclarece Pimentel. A dor epidêmica pode ser atribuída ao
estresse, diminui a capacidade do indivíduo de filtrá-la,
tornando o corpo mais suscetível a ela. Essa dor interfere no
padrão neurológico devido a um desequilíbrio, quase sempre
ligado a questões psicológicas, o que prejudica o funcionamento
do nervo ou do sistema que inibe o nervo. Sendo assim, a pessoa
fica impregnada de informação errada no sistema nervoso e sente
dor sem um motivo físico real.
Todo tratamento depende de um correto
diagnóstico e é direcionado à causa. A maioria dos casos é
tratada com medicamentos, exercícios, fisioterapia, confecção de
aparelhos oclusais intraorais e correção do posicionamento
dentário e mandibular. Casos mais complexos exigem a avaliação
conjunta com outras especialidades como Ortopedia, Neurologia,
Otorrinolaringologia e Fisioterapia. Pacientes com problemas de
saúde ou que estejam em condições especiais (gestantes,
crianças, idosos, pacientes com fobias de consultório, entre
outros) exigem um tratamento odontológico diferenciado.
Mau hálito,
um problema constrangedor
A expressão "bafo de onça" é sem dúvida a
mais utilizada para rotular aqueles que sofrem de mau hálito, um
estado que causa desconforto e constrangimento a aqueles que têm
consciência do problema e mal estar entre as pessoas que
convivem com o portador da patologia. A halitose, o famoso mau
hálito, até pouco tempo foi responsável pela frustração de
pacientes e profissionais de saúde, devido à escassez de
recursos especializados. Atualmente, em virtude dos avanços
tecnológicos e das descobertas feitas pela comunidade científica
internacional, o diagnóstico e o tratamento tem evoluído de
forma notória.
São identificadas mais de 50 causas para a
alteração do hálito. Dentre elas dieta, desidratação, estresse
psicológico, higiene oral deficiente, cárie dentária,
estomatite, alterações intestinais, patologia das fossas nasais,
herpes simples, hipoglicemia, sinusite, febre reumática,
diabetes, leucemia, sífilis, hemorragia interna, doenças raras.
Assim afirma o doutorando em Estomatologia no Departamento de
Medicina Oral da Universidade de Sevilha, Espanha Dr. Jonas Davi
C. G. Nunes. "Um dos principais problemas associados aos
portadores de halitose é a diminuição da sua percepção, pois as
células olfativas rapidamente se adaptam a odores repetidos.
Ora, o mesmo não acontece com os que rodeiam os pacientes com
esta patologia", explica Nunes.
Na sua forma mais acentuada, a halitose
interfere negativamente no relacionamento interpessoal. O odor é
produzido por pequenas partículas dispersas no ar, capazes de
imprimir a sensação olfativa nas células receptoras da cavidade
nasal.
O uso de produtos disponíveis no mercado pode
atenuar o mau hálito, mas não resolve o problema de forma
eficaz. O tratamento da halitose contribui para a prevenção de
problemas da cavidade oral (cárie, doença periodontal,
xerostomia) bem como de doenças sistémicas (pneumonias,
gastrite, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral,
nascimento de prematuros).
Existem três tipos ou filosofias de
tratamento para o hálito, sendo os dois últimos mais eficazes: o
mascarador – em que são utilizados desodorizantes, pastilhas
elásticas com odor forte (menta ou canela), sprays, elixires e
anti-sépticos, alcaçuz etc., que mascaram o odor original; o
profilático (preventivo) - compreende medidas para prevenir o
aparecimento do mau hálito como higiene oral (ex: escovagem da
língua), dietéticas (ex: evitar a ingestão de alimentos com odor
forte) e medicamentosas (ex: uso de bochechos freqüentes com
água oxigenada); e o curativo – em que é fundamental um
diagnóstico preciso sobre a origem ou causa do mau hálito para
resolver o problema.
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