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Edição 673 - Semana de 19 a 25 de julho de 2008
..::data e hora::..    00:00:00

Matéria  redacao@folhanit.com.br


Dor: é preciso estar atento aos sinais

Quando abrir a boca, bocejar ou mastigar passa a ser algo doloroso é hora de prestar atenção nos sinais que o corpo emite e procurar tratamento adequado. Dores agudas ou crônicas na boca e na face podem ser indicativos de doenças nas articulações, dentes, gengivas, faringe, músculos, vasos ou nervos. As chamadas dores orofaciais às vezes se espalham pelo pescoço, cabeça e ouvidos e podem ocorrer por seqüela de traumas ou ser o primeiro sintoma de um câncer.

"O dentista precisa ser especializado na área, também possuir amplo conhecimento para fazer um diagnóstico preciso e indicar o devido tratamento", diz o especialista em Dor Orofacial, Disfunções da ATM e Endodontia, também doutor em Patologia e doutorando em Neurociências pela UFF Paulo A. Pimentel Jr. Segundo ele, o ideal seria que existisse uma residência médica, já que o número de horas de uma especialização corresponde a 600 e o de uma residência a 3 mil horas. Mas não basta concluir somente a especialização, nesse campo de estudo, é preciso que a pesquisa seja uma constante na vida do profissional.

Além da dor orofacial, a disfunção da ATM, ou seja, da articulação têmporo-mandibular, também provoca dores, mais sensação de pressão, aperto, estalos, crepitações, latejamento e pontadas ao abrir a boca, mastigar ou bocejar. Tais dores podem ser causadas pelo bruxismo (apertar ou ranger de dentes) noturno ou diurno e geralmente é acompanhada de dores no pescoço e zumbidos.

Fumo e bebida favorecem o câncer

Uma questão que chama atenção é o fato do difícil diagnóstico do câncer de boca, já que a manifestação se assemelha a outras enfermidades, confundindo o diagnóstico. "Normalmente o câncer é indicado por sinais como úlcera, manchas vermelhas ou brancas e dor. Os mais comuns são os da base da língua e da garganta, eles provocam dor em volta do ouvido, mas é preciso descobrir a origem dela por meio de exames", explica Pimentel. Geralmente o câncer em estágio inicial não provoca dor. Porém, alguns pacientes mais sensíveis podem apresentar o sintoma e, logo tratados, obtêm resultados satisfatórios. De acordo com o mestre em Patologia Bucal, pessoas acima dos 50 anos de idade, que fumam ou bebem, têm mais chance de desenvolver a doença.

De uma forma geral, Paulo Pimentel diz que a dor, seja ela qual for, é uma epidemia, porque atinge grande parcela da população. Devido a essa incidência, as pessoas tendem a não procurar um profissional e passam a aceitá-la passivamente. "O que normalmente era para ser um indicativo se torna doença. A dor fisiológica protege o organismo, indica a causa de uma infecção ou inflamação. Já a nociva não, ela se estabelece em um órgão de resistência diminuída e persiste", esclarece Pimentel. A dor epidêmica pode ser atribuída ao estresse, diminui a capacidade do indivíduo de filtrá-la, tornando o corpo mais suscetível a ela. Essa dor interfere no padrão neurológico devido a um desequilíbrio, quase sempre ligado a questões psicológicas, o que prejudica o funcionamento do nervo ou do sistema que inibe o nervo. Sendo assim, a pessoa fica impregnada de informação errada no sistema nervoso e sente dor sem um motivo físico real.

Todo tratamento depende de um correto diagnóstico e é direcionado à causa. A maioria dos casos é tratada com medicamentos, exercícios, fisioterapia, confecção de aparelhos oclusais intraorais e correção do posicionamento dentário e mandibular. Casos mais complexos exigem a avaliação conjunta com outras especialidades como Ortopedia, Neurologia, Otorrinolaringologia e Fisioterapia. Pacientes com problemas de saúde ou que estejam em condições especiais (gestantes, crianças, idosos, pacientes com fobias de consultório, entre outros) exigem um tratamento odontológico diferenciado.

Mau hálito, um problema constrangedor

A expressão "bafo de onça" é sem dúvida a mais utilizada para rotular aqueles que sofrem de mau hálito, um estado que causa desconforto e constrangimento a aqueles que têm consciência do problema e mal estar entre as pessoas que convivem com o portador da patologia. A halitose, o famoso mau hálito, até pouco tempo foi responsável pela frustração de pacientes e profissionais de saúde, devido à escassez de recursos especializados. Atualmente, em virtude dos avanços tecnológicos e das descobertas feitas pela comunidade científica internacional, o diagnóstico e o tratamento tem evoluído de forma notória.

São identificadas mais de 50 causas para a alteração do hálito. Dentre elas dieta, desidratação, estresse psicológico, higiene oral deficiente, cárie dentária, estomatite, alterações intestinais, patologia das fossas nasais, herpes simples, hipoglicemia, sinusite, febre reumática, diabetes, leucemia, sífilis, hemorragia interna, doenças raras. Assim afirma o doutorando em Estomatologia no Departamento de Medicina Oral da Universidade de Sevilha, Espanha Dr. Jonas Davi C. G. Nunes. "Um dos principais problemas associados aos portadores de halitose é a diminuição da sua percepção, pois as células olfativas rapidamente se adaptam a odores repetidos. Ora, o mesmo não acontece com os que rodeiam os pacientes com esta patologia", explica Nunes.

Na sua forma mais acentuada, a halitose interfere negativamente no relacionamento interpessoal. O odor é produzido por pequenas partículas dispersas no ar, capazes de imprimir a sensação olfativa nas células receptoras da cavidade nasal.

O uso de produtos disponíveis no mercado pode atenuar o mau hálito, mas não resolve o problema de forma eficaz. O tratamento da halitose contribui para a prevenção de problemas da cavidade oral (cárie, doença periodontal, xerostomia) bem como de doenças sistémicas (pneumonias, gastrite, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, nascimento de prematuros).

Existem três tipos ou filosofias de tratamento para o hálito, sendo os dois últimos mais eficazes: o mascarador – em que são utilizados desodorizantes, pastilhas elásticas com odor forte (menta ou canela), sprays, elixires e anti-sépticos, alcaçuz etc., que mascaram o odor original; o profilático (preventivo) - compreende medidas para prevenir o aparecimento do mau hálito como higiene oral (ex: escovagem da língua), dietéticas (ex: evitar a ingestão de alimentos com odor forte) e medicamentosas (ex: uso de bochechos freqüentes com água oxigenada); e o curativo – em que é fundamental um diagnóstico preciso sobre a origem ou causa do mau hálito para resolver o problema.

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