Folha de Niterói Online

 | Página Inicial  |  Anteriores  |  Cadastro  |  Publicidade  |  Expediente  |  Contato  |  @  | 


O jornal das boas notícias


Publicidade

Empregos Manager Online

Clique para ver ampliada
Clique para ampliar

Baixe aqui a edição completa em PDF
Obtenha o Adobe Reader

 

Nesta edição

Cidade

Denize Garcia

Política

Boa Vida

Artigo

Cultura

Vip Vitrine

Login Folhanit

 

Edições Anteriores

 

Publicidade

Expediente

 

Mande seu e-mail

 


WEBDESIGNER:
NILSON RICARDO

 

 

 

Edição 673 - Semana de 19 a 25 de julho de 2008
..::data e hora::..    00:00:00

Política   Leonardo Aguiar   andradeaguiar@uol.com.br


Frágeis instituições

Lendo o fartísimo noticiário sobre a operação Satiagraha, os nomes de pelo menos três personagens chamam a atenção. Não pelo fato de aparecerem em meio a um escândalo que envolve também gente do governo, mas por serem os mesmos de outros casos escabrosos. É recorrente. O chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho; o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. O trio esteve presente no caso do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel. Gilberto Carvalho foi acusado pela família de ser o homem que carregava a mala de dinheiro que saía da propina das empresas de transporte da cidade. Dirceu, na época ministro, seria o receptador, segundo os procuradores que investigam o caso, e Luis Eduardo Greenhalgh foi o advogado designado pelo PT para representar a família de Celso Daniel no processo, mas afastado porque os parentes do ex-prefeito entenderam que ele mais atrapalhava do que ajudava. Os três retornaram ao noticiário durante o escândalo do mensalão e agora voltam na Operação Satiagraha.

O que chama a atenção não é a operação em si, que é mais uma das centenas que a Polícia Federal vem realizando normalmente, gente que roubou, fraudou ou as duas coisas juntas, e por isso está sendo procurada. Mas a reação da classe política e de parte do Judiciário foi de matar de vergonha qualquer brasileiro. Primeiro, o silêncio constrangedor que assolou o Congresso Nacional depois de divulgados os nomes dos que haviam sido presos. Todos apavorados para saber se os seus nomes apareceriam nas agendas ou no pen drive do banqueiro Daniel Dantas – dali para os jornais seria mera conseqüência, concluíram. Mas ali ao lado, no Supremo Tribunal Federal, foi onde se deu a maior surpresa. Numa decisão em tempo recorde, o ministro Gilmar Mendes mandou soltar o banqueiro e mais nove pessoas ligadas a ele. O ex-prefeito de São Paulo Celso Pita e o mega-investidor Naji Nahas, presos na mesma operação, não receberam a mesma complacência do ministro, ficaram para depois.

No meio jurídico, a rapidez na decisão de Mendes de soltar o banqueiro recebeu muitas criticas. O juiz federal Fausto de Sanctis, que havia mandado prender Daniel Dantas, não teve dúvida, mandou prender novamente. Daí para frente, o que aconteceu só comprova que as nossas instituições são frágeis, e que, na maioria das vezes, as pessoas que estão à frente delas não são tão preparadas assim. O próprio ministro Gilmar Mendes, a quem caberia manter-se em silêncio, desqualificou o colega De Sanctis, e ainda pediu para que o Conselho de Nacional de Justiça investigasse o juiz. Na verdade, por tê-lo deixado com cara de bobo. Chamou ainda o ministro da Justiça, Tarso Genro, de incompetente. Genro, por sua vez, defendeu a Polícia Federal como se fosse o superintendente da instituição, e não o ministro da Justiça. Aliás, não é a primeira vez que Tarso Genro se coloca desta forma.

Aos políticos coube o papel mais fácil: explicar à população o que verdadeiramente estava acontecendo. Mas o que se viu foi uma ridícula discussão sobre o uso ou não de algemas em operações da Polícia Federal (se vale para o traficante, vale também para o banqueiro, por que não?). O que os políticos querem, realmente, é que quando o preso não puder incriminar ninguém pode ser algemado. Se for gente deles, aí não pode, aí é "espetacularização" da Polícia (o termo foi muito usado pelos políticos na semana passada). Bicheiro pode ser algemado, banqueiro não.

Também reclamaram muito dos grampos telefônicos, acham um absurdo. Claro, o grampo telefônico com autorização judicial é uma prova difícil de ser mascarada. A gravação de conversas é uma arma poderosa na mão da Justiça. Impressionante também a facilidade que o banqueiro Daniel Dantas tinha para conseguir verbas públicas - agora mesmo o Banco do Brasil vai liberar 4 bilhões de reais para a compra de uma companhia de telefonia móvel cuja controladora é ligada ao banqueiro.

Mas o final dessa história toda é a melhor parte. Os delegados envolvidos na investigação, que já dura quatro anos, foram "saídos" da conclusão dos trabalhos. É, aqui no Brasil é assim, delegado que não recebe grana e ainda prende os amigos deles tem mais é que ser transferido. O delegado Protógenes Queiroz foi afastado do comando da operação. Na segunda-feira passada, o presidente Lula autorizou a sua substituição. Diante da repercussão negativa, Lula voltou atrás e deu a entender que o delegado havia pedido para sair. Pela primeira vez um delegado foi afastado do comando em meio a investigações. Na verdade, desde que vazaram para a imprensa o teor da conversa entre o chefe de gabinete da presidência, Gilberto Carvalho, e Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado de Dantas, a chapa esquentou muito para os delegados envolvidos. Aí tiveram que sair. A coisa não acaba por aí, mas está bem encaminhada para não dar em nada. Só falta agora esperar o que vai acontecer a outro banqueiro famoso, Salvatore Cacciola, dono do banco Marka, que deu um rombo na praça de mais de um bilhão, em 1999, foi preso mas, graças a um habeas corpus concedido pelo ministro do STF Marco Aurélio Melo, fugiu para a Itália, já que tem dupla cidadania. Foi preso em Mônaco e extraditado na quinta-feira para o Brasil, onde desembarcou sem algemas. Quem vai conceder o habeas corpus para que o banqueiro Cacciola fuja de novo? Dá-lhe Brasilllll!!!!!

 

 

topo

topo

   

 

Sede: Rua Otávio Carneiro, 100 salas 1001/1002 - Icaraí - Niterói - RJ - Tel/fax: (21) 2611-5400
Copyright © 1996-2008 Folha de Niterói. Todos os direitos reservados
Melhor visualizado no Internet Explorer (1024x768)

website hit counter