O esboço do futuro secretariado do prefeito
eleito Jorge Roberto Silveira foi anunciado essa semana. Na
verdade, a lista deixa perceber que dali sairá pelo menos 80% do
novo staff. A maioria dos nomes anunciados esteve nos
governos anteriores de Jorge Roberto, como Hamilton Pitanga,
José Roberto Mocarzel, Antônio Sasse, Michel Saad, Agnaldo Zagne,
João Sampaio, Guida, Mauro Simões e Cláudio Valério Teixeira -
todos já ocuparam cargos de secretário e devem voltar a
ocupá-los. Uma mudança ou outra pode acontecer, mas a base
deverá ser essa.
Das caras novas, é bom destacar a do
ex-reitor da UFF, José Raimundo Romeu, que integra a equipe de
transição da Administração. O empresário Robson Gouvêa, que está
na equipe de Indústria Comércio e Desenvolvimento, e o médico
Alkamir Issa, que integra a equipe de Saúde e Fundação Municipal
de Saúde - aliás, dois grandes reforços se realmente trabalhar
para o novo governo.
Como já era esperado, o prefeito eleito não
inovou muito, procurando se cercar de profissionais e
companheiros que já conhece, para evitar surpresas. Os sinais de
"pagamento da fatura", fruto da grande aliança feita nas
eleições, não aparecem muito na equipe de transição. Um ou outro
nome e mais nada. É provável que depois da posse outros nomes
representando partidos que compuseram a aliança possam surgir.
O PPS do deputado Comte Bittencourt talvez
seja o partido que mais garanta espaço na futura administração,
já que vários nomes ligados a ele ou ao partido estão compondo
as equipes da Neltur, como José Haddad e Cristina Caparica;
Alkamir Issa na Saúde; e com Dina Feijó e José Bandeira de Mello
na Secretaria de Esportes.
A volta de José Roberto Mocarzel ao governo
depois de muitos anos de ausência aponta a determinação do
futuro prefeito de dar maior dinamismo, ou melhor, algum
dinamismo ao setor que realizará as obras na cidade, a Emusa.
Mocarzel é conhecido por seu estilo determinado. Foi o
responsável pela maioria das obras realizadas nos governos de
Jorge Roberto Silveira e de João Sampaio. Essa transição deverá
ser das mais fáceis, afinal, com um número tão grande de
ex-colaboradores, é como se o grupo voltasse pra casa depois de
uma longa viagem. É claro que algumas muitas coisas estarão fora
do lugar, mas não será difícil identificar os problemas.
Difícil, talvez, seja resolvê-los.
Na reunião entre Godofredo Pinto, Jorge
Roberto e assessores, o relato feito pelo atual prefeito deve
ter deixado o eleito arrepiado. Ao contrário do que previa e
prometera, Jorge disse não saber se será possível cumprir seu
planejamento como havia previsto, já que a saúde financeira da
Prefeitura não é das melhores. Godofredo responsabilizou a crise
econômica mundial, que teria afetado a arrecadação de ISS e
ICMS, assim como dos royalties do petróleo. O prefeito disse
ainda que a greve dos serventuários da Justiça fez com que a
cobrança da dívida ativa também diminuísse. Trocando em miúdos,
o quadro pintado por Godofredo não deixa dúvidas de que o Jorge
Roberto terá que ter muita criatividade para fazer dinheiro e
cumprir suas promessas de campanha. Existirá, sem dúvida, um
espaço enorme entre o necessário e o possível. Por conta disso,
será imprescindível para o novo governo estabelecer parcerias
para alcançar os objetivos.