"À margem
do lixo", de Evaldo Mocarzel, recebe
três prêmios no Festival de
Cinema de Brasília

"Acho que o cinema tem uma função política,
social, além de ser um espaço de evasão para sonhos, pesadelos e
desejos reprimidos." Esta é a opinião do cineasta niteroiense
Evaldo Mocarzel, diretor de À margem do lixo,
documentário sobre o cotidiano de pessoas que integram uma
cooperativa de catadores de lixo e material reciclável de São
Paulo, premiado no último Festival de Cinema de Brasília. O
filme, que teve recepção calorosa do público, recebeu o Prêmio
Especial do Júri, Prêmio Especial do Júri Popular e Melhor
Fotografia (Gustavo Hadba e André Lavèner).
À margem do lixo
é o terceiro filme de uma tetralogia urbana, que inclui À
margem da imagem (2003), sobre a estetização da miséria e o
roubo da imagem dos excluídos, e À margem do concreto
(2005), sobre os prédios ocupados pelos moradores de ruas do
centro da capital paulista, ganhador do prêmio de Melhor Filme
pelo Júri Popular no Festival de Brasília no ano seguinte. À
Margem da Imagem recebeu 19 prêmios em festivais no Brasil e
no exterior. À margem do comércio, sobre camelôs, é o
próximo a ser filmado.
Evaldo diz que não quer ficar conhecido como
diretor de documentários políticos. Ele afirma que não tinha a
intenção de fazer uma série de documentários sociais sobre São
Paulo, mas, não teve saída. À margem do concreto e À
margem do lixo ’nasceram da recusa de catadores e de
sem-teto em participar de À margem da imagem, que dá
ênfase ao "roubo" da imagem de quem vive na mais absoluta
miséria. A princípio, o diretor retrataria o universo dos
catadores no longa anterior, mas, ao verem um primeiro copião,
os catadores protestaram, dizendo que não pertenciam ao mesmo
grupo dos moradores de rua. "Disseram que eu estava fazendo a
maior confusão, e que se quisesse fazer um filme sobre as lutas
deles, que fizesse um sobre os movimentos de moradia e outro
sobre os catadores", recorda.