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Edição 693 -  Semana de 6 a 12 de dezembro de 2008
..::data e hora::..    00:00:00

Matéria  redacao@folhanit.com.br


Rouquidão

Sua voz pode estar por um fio

De um dia para outro, você acorda rouco, quase sem voz, e se lembra daquela festa ou do jogo em que cantou e gritou até ficar com a garganta ardendo. Provavelmente, o esforço tenha agredido as cordas vocais, ocasionando um processo inflamatório. Nesse caso, em poucos dias a rouquidão vai embora e a voz normal reaparece, sem tratamento médico. Normalmente, dizem os especialistas, é esse o comportamento do paciente: a voz vai e vêm sem que o sintoma gere preocupação. Mas se a mudança sonora persistir, é importante recorrer a um profissional, porque a rouquidão a longo prazo pode ser sinal de câncer na laringe.

Incidência comum nos consultórios médicos, a rouquidão muitas vezes exige tratamento simples e rápido. O sintoma se dá devido a algum tipo de lesão ou em sinal de alguma doença nas cordas vocais – músculos recobertos por mucosa. Ela se distingue pela alteração no padrão da voz. "Muitas vezes a rouquidão é caracterizada por processos inflamatórios; tumores benignos: nódulos, pólipos, como os calos; e câncer. Todas as características afetam diretamente a laringe", explica o médico Paulo Pires de Mello, especialista pela Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.

As causas mais comuns de prejuízo à laringe e que demandam rouquidão de curta duração incluem gripes, resfriados, esforço vocal intenso que resulte em edema e angústia ou ansiedade. Segundo Pires de Mello, toda rouquidão que persiste por mais de dez dias precisa ser avaliada corretamente. É o caso da rouquidão crônica, com origem no tabagismo, alcoolismo, sinusite, pneumonia, hipotireoidismo, reumatismo, uso inadequado e intensivo da voz e refluxo gastroesofágico. "É importante cuidar do estômago porque o refluxo pode danificar a laringe com o suco gástrico que sobe até a garganta. Não fumar, não beber, não exceder no consumo de café e cuidar da saúde como um todo visam a integridade da laringe", diz Paulo Pires de Mello.

A investigação passa necessariamente por um exame endoscópico, co-nhecido como videolarin-goscopia. Após o diagnós-tico, para cada doença, é aconselhada uma forma específica de tratamento.

Brasil é o segundo em
casos de câncer da laringe

Alguns profissionais são mais suscetíveis à rouquidão por trabalharem direta e continuamente com a voz. Normalmente são os professores, cantores, jornalistas e operadores de telemarketing os mais afetados. Por isso, recomenda-se orientação de um fonoterapeuta e/ou cuidados como repouso vocal, evitar pigarrear e tossir na ausência de secreção e beber água em quantidade considerável.

Nesse contexto, existem pessoas acometidas por alteração estrutural mínima, o que resulta em voz rouca a vida toda. "É o caso da voz sensual da atriz Maria Zilda Bethlem. Provavelmente ela tem uma alteração estrutural mínima, mas que não é nociva. A rouquidão contínua tem sempre uma justificativa, é como se existisse uma cicatriz nas cordas vocais", esclarece o otorrinolaringologista que complementa. "Há casos de rouquidão de fundo emocional, a chamada disfonia psicogênica, mais comum em mulheres jovens. Após o diagnóstico, é necessário encaminhar o paciente a um tratamento psicoterapêutico".

Ocorrências mais sérias de rouquidão, como reflexo do câncer de laringe, por exemplo, podem surgir acompanhadas de outros sintomas como dificuldade de engolir e sensação de caroço na garganta. O diagnóstico precoce da doença representa quase 100% de possibilidade de cura, ao contrário da detecção do câncer no estágio 4, em que a chance de cura cai para abaixo de 50%. No Brasil, as estatísticas são consideradas preocupantes. O país é o segundo do mundo a registrar ocorrências de câncer de laringe, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde – OMS.

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