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Rouquidão
Sua voz pode estar por um fio
De um dia para outro, você acorda rouco,
quase sem voz, e se lembra daquela festa ou do jogo em que
cantou e gritou até ficar com a garganta ardendo. Provavelmente,
o esforço tenha agredido as cordas vocais, ocasionando um
processo inflamatório. Nesse caso, em poucos dias a rouquidão
vai embora e a voz normal reaparece, sem tratamento médico.
Normalmente, dizem os especialistas, é esse o comportamento do
paciente: a voz vai e vêm sem que o sintoma gere preocupação.
Mas se a mudança sonora persistir, é importante recorrer a um
profissional, porque a rouquidão a longo prazo pode ser sinal de
câncer na laringe.
Incidência comum nos consultórios médicos, a
rouquidão muitas vezes exige tratamento simples e rápido. O
sintoma se dá devido a algum tipo de lesão ou em sinal de alguma
doença nas cordas vocais – músculos recobertos por mucosa. Ela
se distingue pela alteração no padrão da voz. "Muitas vezes a
rouquidão é caracterizada por processos inflamatórios; tumores
benignos: nódulos, pólipos, como os calos; e câncer. Todas as
características afetam diretamente a laringe", explica o médico
Paulo Pires de Mello, especialista pela Sociedade Brasileira de
Otorrinolaringologia e membro da Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.
As causas mais comuns de prejuízo à laringe e
que demandam rouquidão de curta duração incluem gripes,
resfriados, esforço vocal intenso que resulte em edema e
angústia ou ansiedade. Segundo Pires de Mello, toda rouquidão
que persiste por mais de dez dias precisa ser avaliada
corretamente. É o caso da rouquidão crônica, com origem no
tabagismo, alcoolismo, sinusite, pneumonia, hipotireoidismo,
reumatismo, uso inadequado e intensivo da voz e refluxo
gastroesofágico. "É importante cuidar do estômago porque o
refluxo pode danificar a laringe com o suco gástrico que sobe
até a garganta. Não fumar, não beber, não exceder no consumo de
café e cuidar da saúde como um todo visam a integridade da
laringe", diz Paulo Pires de Mello.
A investigação passa necessariamente por um
exame endoscópico, co-nhecido como videolarin-goscopia. Após o
diagnós-tico, para cada doença, é aconselhada uma forma
específica de tratamento.
Brasil é o
segundo em
casos de câncer da laringe
Alguns profissionais são mais suscetíveis à
rouquidão por trabalharem direta e continuamente com a voz.
Normalmente são os professores, cantores, jornalistas e
operadores de telemarketing os mais afetados. Por isso,
recomenda-se orientação de um fonoterapeuta e/ou cuidados como
repouso vocal, evitar pigarrear e tossir na ausência de secreção
e beber água em quantidade considerável.
Nesse contexto, existem pessoas acometidas
por alteração estrutural mínima, o que resulta em voz rouca a
vida toda. "É o caso da voz sensual da atriz Maria Zilda Bethlem.
Provavelmente ela tem uma alteração estrutural mínima, mas que
não é nociva. A rouquidão contínua tem sempre uma justificativa,
é como se existisse uma cicatriz nas cordas vocais", esclarece o
otorrinolaringologista que complementa. "Há casos de rouquidão
de fundo emocional, a chamada disfonia psicogênica, mais comum
em mulheres jovens. Após o diagnóstico, é necessário encaminhar
o paciente a um tratamento psicoterapêutico".
Ocorrências mais sérias de rouquidão, como
reflexo do câncer de laringe, por exemplo, podem surgir
acompanhadas de outros sintomas como dificuldade de engolir e
sensação de caroço na garganta. O diagnóstico precoce da doença
representa quase 100% de possibilidade de cura, ao contrário da
detecção do câncer no estágio 4, em que a chance de cura cai
para abaixo de 50%. No Brasil, as estatísticas são consideradas
preocupantes. O país é o segundo do mundo a registrar
ocorrências de câncer de laringe, de acordo com dados da
Organização Mundial de Saúde – OMS. |