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Quando a hora de apagar a
velinha
concorre com as festas de fim de ano
Enfim, dezembro, e o nascimento de Jesus é
festejado por cristãos do mundo todo, mesmo diante da distorção
que o mercado faz da data, disseminando muito mais o espírito da
compra de presentes do que o de renascimento e renovação. Agora,
se Jesus que é Jesus tem seu aniversário desvirtuado do foco,
imaginem os pobres e simples mortais, aniversariantes da mesma
época que, na seqüência, traz outra comemoração de peso: a
passagem do ano.
Diante do ilustre aniversariante do mês e da
celebração da virada, faltam convidados em alguns aniversários,
isso quando há festa. No caso do projetista Hildebrando Hatherly,
nascido em 25 de dezembro, será a primeira vez que ele se anima
a festejar a data, mesmo assim, depois do Natal. "Adoro meu
aniversário, mas é impossível comemorar no dia. As pessoas
sempre passam lá em casa para dar um abraço e depois vão embora.
Nunca fiz festa, sempre só um bolinho, mas este ano decidi fazer
uma reunião entre o Natal e o réveillon", conta.
Outro que não tem problemas em relação à data
de aniversário é o industriário Gilberto de Oliveira,
aniversariante do dia 31 de dezembro. Ao contrário de muitos,
ele gosta da comemoração na data porque o clima geral é festivo.
"Quando a pessoa gosta da gente sempre aparece, mesmo que não
seja para ficar a noite toda", diz. "Nasci quase à meia-noite.
No dia, quem ajudou no parto acabou ficando para a ceia lá em
casa", recorda.
Natal e
aniversário: sempre o mesmo presente
A professora Kamilli Telles Campelo confessa
não gostar de ter nascido em 24 de dezembro. Em sua opinião,
além de ser uma data difícil de reunir amigos e familiares para
o aniversário, já que existe uma festa de maior evidência, a
data tem um quê depressivo. "Geralmente meus pais faziam minha
festinha antes, no dia 22 ou 23. Nem sempre com temas natalinos,
mas me lembro de alguns em que o bolo e a vela eram decorados
com bolinhas iguais as da árvore de Natal". A professora conta
que a família de sua mãe tinha hábito de se reunir e assar um
leitão para a ceia. Na véspera do Natal, sua mãe estava louca
para saborear a iguaria quando começou a passar mal e foi levada
para o hospital. "Aí eu nasci", diverte-se.
Da mesma forma, a comerciante Marilza Santos
de Abreu não aprecia ter nascido no dia de Natal. "Só passei a
comemorar meu aniversário depois que vieram os filhos, mas
também só com um bolinho. Aniversário em dezembro já é
complicado, no dia 25, então, nem se fala. Minha mãe teve
dificuldade até para localizar a parteira, sem contar que a
gente ganha um presente só", brinca Marilza.
Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, a
técnica de segurança do trabalho Fernanda Assumpção da Motta
preferiria ter nascido no dia 1º de janeiro, em vez de 31 de
dezembro. "Normalmente, quando o ano foi ruim, as pessoas querem
se livrar logo dele. Daí a data carregar toda essa carga
negativa. Já no primeiro dia do ano, o que impera é a esperança
de dias melhores", sintetiza Fernanda. Segundo ela, as pessoas
sempre esquecem do seu aniversário, inclusive parentes, talvez
porque as festinhas sempre ocorrem dias depois. Para compensar,
seus pais sempre lhe davam dois presentes, uma lembrancinha de
Natal e um presentão de aniversário.
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