Os brasileiros receberam recentemente um
alerta do Ministério da Saúde, baseado no resultado do estudo
anual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, em
relação à contaminação de alimentos vendidos nos supermercados.
Bombástica por natureza, é o tipo de notícia que agita o senso
comum com dúvidas e decisões extremas, como a de não comer mais
alimentos saudáveis, por conta do excesso de agrotóxico, ou
julgar de forma manequeísta o pesticida. Afinal, que alimento é
considerado benéfico atualmente, já que das 17 culturas
analisadas, entre frutas, verduras e legumes, 15,29% estavam
contaminados com resíduos da substância?
Nada muda, seguem as mesmas indicações, só
que para reduzir o impacto na saúde do consumidor, o ministro da
Saúde, José Gomes Temporão, aconselha lavar muito bem os
alimentos, retirar folhas externas, optar por produtos da época
ou alimentos orgânicos. Outra dica é deixá-los ao ar livre, em
uma fruteira, em vez de armazená-los na geladeira. "O gelo pode
inibir o desaparecimento do pesticida da superfície da fruta",
explica a pesquisadora Claudia Helena Pastor Ciscato, do
Instituto Biológico.
Dadas as devidas proporções, cuidados devem
ser tomados, mas o alerta não deve dar vazão a uma histeria
generalizada, partindo do princípio de que agrotóxicos causam
câncer. É bem verdade que determinados pesticidas e/ou a
exposição prolongada a certos produtos químicos dessa natureza
podem provocar danos à saúde: uma intoxicação, por exemplo, com
sinais comuns do efeito do agrotóxico no organismo como dor de
cabeça, coceira, náusea, fraqueza, tonteira e vômito. Mas isso
em caso de ingestão crônica, como explica o oncologista Victor
Araujo Machado. Muito rara, segundo ele. "Há controvérsias.
Embora algumas pesquisas sugiram que a intoxicação por
agrotóxico possa gerar câncer, não existe comprovação. O que há
de palpável são estudos que relacionam alguns tipos de câncer
com pessoas que trabalham ou trabalharam durante muito tempo em
contato com o agrotóxico", esclarece o médico que, em seguida,
relaciona os tumores mais comuns: leucemia (principalmente em
crianças), cerebral, renal e tumores de células germinativas
(ovários e testículos).
Na contramão, o médico defende o uso de
pesticidas, dizendo que seria impossível dar conta da demanda
alimentar da população sem ele. "O agrotóxico permite produção
abundante, aumenta a produtividade das lavouras e maior
disponibilidade de frutas, verduras e vegetais ao longo do ano.
Ele é bom, só não pode ser administrado de forma irregular",
conclui Machado.
Apesar de os resultados terem sido
insatisfatórios, o ministro lembra que amostragem não é o todo,
ou seja, o estudo detectou contaminação apenas em alguns
produtos, variando entre estados e amostras. Sendo assim, o
perigo está no exagero da dose e no uso de pesticidas proibidos.
Tanto que, no Brasil, o uso de agrotóxicos é regularizado por
Lei, garantindo aplicabilidade a fim de preservar o alimento de
ações externas deteriorantes, mas dentro de limites
pré-estabelecidos que não comprometam a sanidade do homem e do
meio.