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Edição 713 -  Semana de 16 a 22 de maio de 2009
..::data e hora::..    00:00:00

Matéria  redacao@folhanit.com.br


APADA luta pela gratuidade
do "teste da orelhinha"

Para celebrar os 40 anos da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Audição de Niterói (APADA), a instituição se prepara para promover duas campanhas, cujos lançamentos estarão incluídos na série de eventos comemorativos de 2009, a partir de 1º de junho. A primeira é uma iniciativa pioneira em Niterói, que pretende disponibilizar gratuitamente o teste de oto-emissões acústicas, popularmente conhecido como "teste da orelhinha". A segunda, na verdade, trata-se da tentativa de desdobramento da Campanha de Vacinação contra a Rubéola, iniciada há cinco anos pelo Ministério da Saúde (MS) – ambas com o objetivo de prestar esclarecimento à população sobre os cuidados que devem ser tomados em relação à saúde auditiva e procedimentos adotados, uma vez detectada alguma deficiência.  

 A idéia das campanhas surgiu a partir de uma verificação feita pela presidente da APADA, Miriam Rodrigues. Segundo ela, de 2008 até o ano corrente, não têm aparecido crianças pequenas com problemas de surdez. Hoje, existem 10 vagas no berçário da associação que são ocupadas por crianças não surdas, já que as outras não chegam à APADA. "Por que será? Será que as mães não têm se dado conta de que seus filhos são deficientes e, por isso, não buscam ajuda ou será que a campanha contra a rubéola deu tão certo que diminui ou até erradicou o número de crianças surdas em conseqüência da doença?", diz Miriam intrigada.  

Rápido e indolor

Por esse motivo, a presidente pleiteia, junto ao Sistema Único de Saúde – SUS, uma forma de dispor gratuitamente o "teste da orelhinha", obrigatório por lei, mas cobrado pelas maternidades. Atualmente existe um convênio entre a associação e o SUS para realização de diversos procedimentos de análise, entretanto, mesmo que não obtenha sucesso, Miriam diz que irá implantar o exame na APADA, pelo menos durante 2009. "Não que detectando a surdez no primeiro ano de vida reverta a situação, mas com certeza a criança aprenderá a se comunicar mais fácil e rapidamente. A pressa é justificável para que ela incorpore a linguagem e desenvolva uma interação social saudável", esclarece. O teste é indolor e breve, leva de dez a quinze minutos, pode ser feito até mesmo com a criança dormindo e o resultado é obtido na hora. A partir de seis ou sete dias, o bebê já pode ser submetido ao "teste da orelhinha".  

 Outra questão é a Campanha de Vacinação contra a Rubéola que, segundo o Ministério da Saúde, foi a maior campanha já realizada no país. Louvável a iniciativa, é o que considera Miriam Rodrigues. Só que ela vê uma falha quando o MS interrompe a continuidade, não revelando os resultados provenientes da ação. A presidente gostaria que o próprio Ministério da Saúde fizesse um levantamento em áreas ligadas à deficiência auditiva sobre casos decorrentes da doença. Mas diante da ausência de dados oficiais, Miriam pretende dar um desdobramento para a campanha, reforçando-a, para que não caia no esquecimento das futuras mães, e analisando resultados pontuais referentes à perda de audição. "Ficarei feliz da vida se não tiver mais criança surda. Só que, em muitos casos, as mães não percebem que elas têm deficiência. Chegam aqui mães com filho de três anos, reclamando que ele fica quieto num canto, não interage. Elas nem sabe que o filho não ouve. Está aí a minha preocupação no descaso das mães", encerra Miriam Rodrigues.

Atenção!

A Sociedade Brasileira de Otologia informa que a perda leve ou moderada de audição numa criança provoca dificuldades de entendimento de mensagens sonoras, além de ocasionar problemas emocionais, de aprendizagem e até mesmo agressividade. Distúrbios escolares, déficit de aprendizado, falta de atenção e de concentração, inquietação, problemas no desenvolvimento afetivo e dificuldades de socialização estão entre as conseqüências.

 

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