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APADA luta pela gratuidade
do "teste da orelhinha"
Para celebrar os 40 anos da Associação de
Pais e Amigos dos Deficientes da Audição de Niterói (APADA), a
instituição se prepara para promover duas campanhas, cujos
lançamentos estarão incluídos na série de eventos comemorativos
de 2009, a partir de 1º de junho. A primeira é uma iniciativa
pioneira em Niterói, que pretende disponibilizar gratuitamente o
teste de oto-emissões acústicas, popularmente conhecido como
"teste da orelhinha". A segunda, na verdade, trata-se da
tentativa de desdobramento da Campanha de Vacinação contra a
Rubéola, iniciada há cinco anos pelo Ministério da Saúde (MS) –
ambas com o objetivo de prestar esclarecimento à população sobre
os cuidados que devem ser tomados em relação à saúde auditiva e
procedimentos adotados, uma vez detectada alguma deficiência.
A idéia das campanhas surgiu a partir de uma
verificação feita pela presidente da APADA, Miriam Rodrigues.
Segundo ela, de 2008 até o ano corrente, não têm aparecido
crianças pequenas com problemas de surdez. Hoje, existem 10
vagas no berçário da associação que são ocupadas por crianças
não surdas, já que as outras não chegam à APADA. "Por que será?
Será que as mães não têm se dado conta de que seus filhos são
deficientes e, por isso, não buscam ajuda ou será que a campanha
contra a rubéola deu tão certo que diminui ou até erradicou o
número de crianças surdas em conseqüência da doença?", diz
Miriam intrigada.
Rápido e
indolor
Por esse motivo, a presidente pleiteia, junto
ao Sistema Único de Saúde – SUS, uma forma de dispor
gratuitamente o "teste da orelhinha", obrigatório por lei, mas
cobrado pelas maternidades. Atualmente existe um convênio entre
a associação e o SUS para realização de diversos procedimentos
de análise, entretanto, mesmo que não obtenha sucesso, Miriam
diz que irá implantar o exame na APADA, pelo menos durante 2009.
"Não que detectando a surdez no primeiro ano de vida reverta a
situação, mas com certeza a criança aprenderá a se comunicar
mais fácil e rapidamente. A pressa é justificável para que ela
incorpore a linguagem e desenvolva uma interação social
saudável", esclarece. O teste é indolor e breve, leva de dez a
quinze minutos, pode ser feito até mesmo com a criança dormindo
e o resultado é obtido na hora. A partir de seis ou sete dias, o
bebê já pode ser submetido ao "teste da orelhinha".
Outra questão é a Campanha de Vacinação
contra a Rubéola que, segundo o Ministério da Saúde, foi a maior
campanha já realizada no país. Louvável a iniciativa, é o que
considera Miriam Rodrigues. Só que ela vê uma falha quando o MS
interrompe a continuidade, não revelando os resultados
provenientes da ação. A presidente gostaria que o próprio
Ministério da Saúde fizesse um levantamento em áreas ligadas à
deficiência auditiva sobre casos decorrentes da doença. Mas
diante da ausência de dados oficiais, Miriam pretende dar um
desdobramento para a campanha, reforçando-a, para que não caia
no esquecimento das futuras mães, e analisando resultados
pontuais referentes à perda de audição. "Ficarei feliz da vida
se não tiver mais criança surda. Só que, em muitos casos, as
mães não percebem que elas têm deficiência. Chegam aqui mães com
filho de três anos, reclamando que ele fica quieto num canto,
não interage. Elas nem sabe que o filho não ouve. Está aí a
minha preocupação no descaso das mães", encerra Miriam
Rodrigues.
Atenção!
A Sociedade Brasileira de Otologia
informa que a perda leve ou moderada de audição numa criança
provoca dificuldades de entendimento de mensagens sonoras,
além de ocasionar problemas emocionais, de aprendizagem e
até mesmo agressividade. Distúrbios escolares, déficit de
aprendizado, falta de atenção e de concentração,
inquietação, problemas no desenvolvimento afetivo e
dificuldades de socialização estão entre as conseqüências.
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