
"Uma casa de sapê chamada
Duerê"
A manchete estampada no "Jornal do Brasil" foi um marco
na história do "point" que durante dez anos atraiu fielmente
um público ávido por boa música, boa comida e gente interessante.
Sua história vai virar documentário
Pelo
palco do Duerê passaram artistas importantes como Leny Andrade, Danilo
Caymmi, Johnny Alf, Cauby Peixoto, Beth Carvalho, Sivuca, Hermeto
Pascoal, Roberto Menescal, Luizinho Eça, Ângela Rorô, Pepeu Gomes,
Azymuth, além dos niteroienses Bia Bedran, Daltro, Arthur Maia, Itamara
Koorax, Beth Bruno e Heitor TP, entre tantos outros. Pelas mesas, seria
absolutamente impossível listar. A história do local, que começou
despretensiosamente como restaurante e se tornou uma das casas de show
mais badaladas no eixo Niterói-Rio de Janeiro, será contada em
documentário pela produtora Cinema em Dia, como parte de um projeto da
Secretaria Municipal de Cultura e o Canal Futura.
A
idéia de fazer o documentário sobre o local partiu de Fred Borba, sócio
da produtora Cinema em Dia, que cresceu ouvindo os pais contarem
histórias do Duerê, que funcionou de 1984 a 1994 na Estrada Caetano
Monteiro, em Pendotiba, entre a Pestalozzi e a Vila Progresso. A
intenção da produção é ouvir artistas, ex-freqüentadores e gerentes,
além de colher material como fotos e recortes de jornal e revistas sobre
o local. "Já começamos a ouvir as pessoas, estamos na fase de filmar os
depoimentos individuais", conta Ivan Angelis, formado em Cinema e em
História e também sócio da produtora, juntamente com Felipe Duque.
"Nosso entusiasmo está no resgate deste caldeirão afetivo-cultural que
era o Duerê", afirma Lívio Vasconcelos, que a com mulher, Cristina,
Marilda Ormy e Daniel Damasceno eram os donos da casa. Lívio está
tentando mobilizar os músicos e os empresários que freqüentaram o Duerê
para que invistam no projeto. "Quanto mais apoio, melhor sairá o
produto", prevê.
"O
Krya, em seu grande início, fazia lotar as noites de sexta", conta
Daniel, ao recordar que Leny Andrade considerava o espaço uma das
melhores casas de show do Brasil, pela qualidade do som e pelo telhado
de sapê, que absorvia excessos. No palco, ela fazia questão de dizer
‘meus músicos aqui tocam felizes’. Marilda conta que a primeira
apresentação pública de Zélia Duncan foi lá. "Lembro até que saímos para
comprar a roupa dela."
"O
Duerê foi crescendo aos poucos e conquistando as pessoas também pelo
atendimento carinhoso e pessoal que prestávamos", acredita Marilda, para
quem o recado ‘O Duerê reservou este cantinho pra você’ escrito sobre as
mesas reservadas dava um charme especial à Casa, assim como o nome da
mulher vir antes do nome do marido nos convites enviados por
mala-direta. "Eram detalhes que faziam a diferença."
"Era
onde rolavam os melhores programas da cidade e onde os antenados se
encontravam", atesta a jornalista Elaine Uzeda, que produziu lá um show
de Itamara Koorax e prometeu remexer seus arquivos para encontrar as
fotos e emprestá-las à Cinema em Dia. Quem tiver algum material
sobre o Duerê e quiser colaborar com a produção do filme pode entrar em
contato com a Folha de Niterói pelo telefone 2611-5400 ou enviar
mensagem para redacao@folhanit.com.br.
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