Crise no Senado não desanima
candidatura do presidente da Alerj
Conquistas e gestões bem sucedidas
credenciam Jorge Picciani ao cargo
Bárbara
Marques
O
presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj),
deputado Jorge Picciani, está animado com a decisão de se lançar
candidato a uma vaga no Senado em 2010. Apesar dos problemas que
enfrenta o Congresso Nacional, ele se mostra otimista, com sérias
intenções de figurar entre os três senadores que representarão os
fluminenses na próxima legislatura. Em entrevista exclusiva à Folha
de Niterói, disse acreditar que, uma vez eleito, fará a diferença no
parlamento federal.
Nomeado presidente da Alerj quatro vezes consecutivas, o peemedebista
aposta num Senado renovado, com 2/3 dos senadores revigorados, depois do
tsunami de atos secretos. "Talvez a crise em que se encontra hoje
o Senado exista um pouco em função da falta de acautelamento efetivo e
de controle social", analisa Picciani, envaidecido pelos anos de gestão
bem sucedida, como ele próprio avalia, diante de uma administração
continuada. "Reduzimos muito o custo do poder legislativo, tanto que
fechamos o ano passado gastando 1,16% das receitas tributárias do
Estado. Já se chegou a consumir mais de três por cento do Orçamento,
quando a lei de responsabilidade fiscal permite gastar até três por
cento. Usamos menos e ainda devolvemos recursos", enfatiza o
parlamentar.
Segundo o deputado, este ano, a contenção de verba da Casa somou R$ 35
milhões, que foram aplicados em universidades estaduais, Defensoria
Pública e Ministério Público. Ele lembra que a Alerj se reuniu durante o
episódio de enchentes no país e, em sua totalidade, os deputados
decidiram reduzir ainda mais, em R$ 20 milhões, a dotação de 2009 para
ajudar os 20 municípios que sofreram com a catástrofe. "Nós já não
tínhamos crescido o nosso orçamento, ele tinha se mantido igual e ainda
foram reduzidos 55 milhões. Nos outros poderes, o Orçamento cresceu na
ordem de oito por cento", contou.
Fórum luta por política
de integração
O
presidente da Alerj fez questão de destacar que o vento que bate lá no
Senado não é o mesmo que venta cá na Assembléia e que, embora o mar seja
o mesmo, o que tem se dado de alteração por aqui não passa de marola
diante do que vem ocorrendo no parlamento federal. "Temos mazelas sim,
como três cassações de deputados, mas colocamos em funcionamento a
Corregedoria e o Conselho de Ética, ambos criados na minha
administração, e eles funcionam", afirmou Picciani, citando também a
Escola do Legislativo, criada para capacitar e qualificar técnicos dos
legislativos estadual e municipal e o Fórum Permanente de
Desenvolvimento Estratégico do Estado Jornalista Roberto Marinho,
idealizado para fomentar uma política econômica de integração do Rio de
Janeiro com o restante do país, que hoje reúne 29 entidades da sociedade
civil.
Jorge Picciani acredita que vai se eleger e dar sua contribuição ao
Senado e ao Brasil, por conta dos 16 anos de experiência política,
adquiridos com a administração da Alerj. "É um aprendizado porque você
lida com uma gama de forças políticas, diferentes traços ideológicos, de
toda formação social e profissional, forças de defesas coorporativas ou
não... Isso vai dando capacidade de aprender a ouvir para poder decidir
na Presidência. Você sai da opinião pessoal para compreender o
sentimento do parlamento, que passa a ser o sentimento contido na
essência da população". O candidato vê o fortalecimento da bancada
federal do Rio como um bote salva-vidas que pode trazer ainda mais o
Estado à tona de seu posicionamento no ranking do país.
Picciani defende
investimento em educação
Na
opinião do deputado Jorge Picciani, é no Senado Federal que se discutirá
a capacidade de endividamento do Estado e dos municípios. "Pegar Caxias,
pegar Niterói, pegar o Rio de Janeiro, levá-los a outro patamar de
endividamento para que possam captar recursos nacionais e
internacionais, precisamos reduzir a diferença social, fazer
investimentos", acredita ele, ao mencionar a camada pré-sal como
verdadeira poupança nacional. "Podemos resgatar a dívida com a sociedade
brasileira, investir maciçamente em educação, dando oportunidades iguais
de ensino a todos os brasileiros, sejam filhos de famílias abastadas ou
pobres. Ou vamos continuar numa sociedade em que só filhos de ricos têm
acesso às melhores escolas, aos melhores cursos e, portanto, às melhores
oportunidades no mercado de trabalho?".
O
deputado elogiou a atuação do Senador Francisco Dornelles (PP/RJ), que
defende medidas como a redução da taxa de juros Selic para manter a
economia brasileira aquecida - e, conseqüentemente, evitar o aumento do
desemprego - e ações que resultem na descentralização administrativa,
com fortalecimento dos estados e municípios. "Dornelles ainda tem cinco
anos e meio de mandato, portanto, pretendo ser colega dele nos quatro
anos vindouros, somando muito, porque somos políticos complementares",
comparou Picciani, reforçando a idéia de que ambos têm preparo
intelectual e que, juntos, poderão atuar em favor do Rio de Janeiro.
|