O Brasil chega ao século XXI com imensas
oportunidades para inaugurar um novo projeto de desenvolvimento
sustentável, com democracia, redução das desigualdades e
superação da pobreza. No cenário da mais grave crise econômica
internacional da história do capitalismo, que provocou a
derrubada de várias economias desenvolvidas da Europa, América e
Ásia, somos um dos poucos países que não quebrou. Ao contrário,
segundo dados do IPEA, 500 mil brasileiros superaram a pobreza
no período mais agudo da crise entre novembro de 2008 e maio de
2009. Último a ser contagiado por ela, o Brasil já retomou o
crescimento.
O mercado interno, consideravelmente ampliado
nos últimos seis anos pela criação de 10 milhões de empregos,
pela recuperação gradual e efetiva do salário mínimo e pela
implantação da rede de proteção social (Bolsa-Família, Benefício
da Prestação Continuada, dentre outros); a política
internacional que ampliou e diversificou o comércio exterior
brasileiro; a ampliação das reservas que totalizam mais de 200
bilhões de dólares; o PAC e os investimentos na infra-estrutura
e as medidas anti-cíclicas adotadas pelo governo federal
garantiram que o país superasse rapidamente a crise. Um inédito
percurso para minha geração, que viu o Brasil quebrar na década
de 70 com a crise do petróleo; um longo período de recessão e
estagnação com a crise dos juros americanos na década de 80 e as
crises russa, mexicana e asiática na década de 90.
É nesse contexto que as reservas do petróleo
da camada pré-sal, confirmadas em 2006, representam uma
extraordinária oportunidade para as atuais e futuras gerações de
brasileiros neste novo século. As descobertas dessa nova
fronteira petrolífera, especialmente no litoral do Estado do Rio
de Janeiro, deverão, pelo menos, quadriplicar as atuais reservas
brasileiras de 15 bilhões de barris de petróleo. Após levar
quase 5 décadas para atingir a auto-suficiência em petróleo, com
a produção de 2 milhões de barris/dia em 2006, o Brasil chegará
em 2020 ao dobro dessa produção.
É razoável, portanto, que o país estabeleça
um marco regulatório para o pré-sal, que garanta a nossa
soberania sobre esses recursos e amplie a parcela dos seus
ganhos para a sociedade brasileira. Com o regime de partilha do
pré-sal, adotado por todos países com grandes reservas, são
possíveis os investimentos externo e privado, mas inegavelmente
os recursos obtidos pelo país serão muito maiores que no regime
de concessão atualmente adotado.
Utilizar adequadamente a imensa riqueza do
pré-sal, investindo maciçamente em educação, saúde, ciência e
tecnologia, meio ambiente, energias renováveis e limpas é o
caminho para que o nosso futuro, enquanto sociedade democrática
e livre, seja também de mais justo e solidário.
Portanto, debater e aprovar o marco
regulatório do pré-sal no Congresso Nacional é fundamental para
o Brasil. Da mesma forma, cabe destacar a sensibilidade do
presidente Lula, que manteve no projeto apresentado ao
Parlamento os royalties e a participação especial dos estados e
municípios produtores. Essa compensação representa um pequeno
percentual para indústria do petróleo, porém uma receita
expressiva para o nosso estado. É necessária a mobilização de
todos os fluminenses para que essa conquista do Rio de Janeiro
seja mantida pelo Congresso Nacional.