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Edição 732 - Semana de 26 de setembro a 2 de outubro de 2009
..::data e hora::..    00:00:00

Política   Leonardo Aguiar   politica@folhanit.com.br


Eles estão de volta

Apesar das expectativas contrárias à criação de mais 7 mil vagas de vereadores no Brasil, a Câmara Federal aprovou na última terça-feira a emenda constitucional que restitui o que havia sido diminuído pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2004.

A recomposição das vagas vem em uma hora em que se discute muito o papel do parlamento brasileiro, quase sempre envolvido em algum tipo de escândalo. Seja com passagens usadas indevidamente, contratação de parentes, desvio de verbas, viagens não oficiais e por aí vai. O trabalho de senadores e deputados vem sendo questionado pela falta de objetividade e de empenho com as matérias realmente importantes para a população.

Hoje, as matérias que tomam conta da pauta, tanto da Câmara como do Senado, têm a ver com política partidária. Brigas por cargos, por nomeações e poucos projetos, muito poucos. Nada para melhorar a saúde, nada para melhorar os transportes, nada para melhorar a educação... nada.

Se no Congresso, que o nível político e intelectual é melhor ocorre tudo isso, imaginem nas Câmaras municipais, onde existe até vereador que não sabe escrever direito, o que pode acontecer.

As Câmaras municipais, como todas as outras casas legislativas, vêm ao longo dos últimos anos sofrendo um processo de "esvaziamento qualitativo" crescente e bastante visível. A atividade política já não seduz aquele que antigamente tinha a vocação para a coisa, ou que representava a aspiração de um grupo ou de um segmento profissional.

Hoje, quem procura a atividade política em sua grande maioria, são pessoas ligadas a atividades por vezes não muito legais, do ponto de vista jurídico, ou pessoas que por terem problemas com a Justiça procuram o mandato para sua salvaguarda pessoal através de imunidade parlamentar. Existem ainda, as pessoas ligadas à polícia, à milícia, aos transportes alternativos e coisas do gênero. Aliás, esse último grupo anda crescendo muito, principalmente nas câmaras municipais e nas assembleias legislativas.

Como o nível está cada vez mais baixo, é claro que a resposta para a população é cada vez menor, e a cada ano mais decepcionante.

A outra discussão que a aprovação da emenda provoca é se o aproveitamento desses suplentes se dará já, como se tivessem sido eleitos na eleição do ano passado, ou se só estará valendo a partir da eleição de 2012. O trabalho dos suplentes é para que a lei seja aplicada no sentido de retroagir, mas o TSE entende que não, que somente a partir das próximas eleições.

Antes que alguma Câmara Municipal resolva dar posse a seus suplentes, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já mandou avisar que, se isso acontecer, entrará com uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal.

Parece que, pelo menos por enquanto, a vitória dos suplentes não será completa.

Por outro lado, a aprovação das 7 mil novas vagas vai representar assim que forem preenchidas, uma despesa a mais nas Câmaras que estarão, por conta da mesma medida, com seus repasses oriundos das prefeituras reduzidos.

Os presidentes dos legislativos municipais estão preocupados com o que terão que fazer para trabalharem com a nova realidade.

Aqui na cidade, por exemplo, que hoje abriga 18 vereadores receberia mais três. Dezoito para uma cidade como Niterói já está de bom tamanho. Com 21 o aumento será apenas de gasto público, mais nada. A cidade já sofre com os atuais, que não conseguem dizer a que vieram, só estão preocupados em ter cargos e mais cargos e estarem na bancada de sustentação do prefeito, seja ele qual for.

É bom deixar claro que toda regra tem sua exceção e a Câmara de Niterói, como as outras, tem as suas, mas são poucas.

A Câmara dos Deputados, na verdade, deu um presente de Natal antecipado para o contribuinte.

Pena que foi de mau gosto.

 


 
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