As eleições de
2010 para governador sofreram sua primeira baixa. O deputado
Fernando Gabeira não será mais o candidato do PV ao governo do
Estado do Rio. O partido achou por bem preservar o deputado de
uma eventual derrota e ficar sem representação. Na visão do
partido, o melhor é que Gabeira seja candidato ao Senado, onde
as chances de vitória são maiores. A questão do palanque para a
candidatura da ex-ministra Marina Silva ficará para depois, até
por quê, para esse fim servirá qualquer outro nome, até com
menos densidade política. Para tomar esta decisão, o PV levou em
conta o fato de que se Gabeira vai muito bem nas zonas sul e
metropolitana da cidade, o mesmo não acontece no interior do
estado, onde o campo de disputa está muito loteado. Além disso,
o PV não está, e talvez não esteja, estruturado o suficiente até
a eleição.
O Partido Verde
vem crescendo desde a eleição para a prefeitura do Rio, em 2008,
por conta do excelente desempenho de Gabeira na campanha
eleitoral. Só perdeu por dois fatores: um, a falta de empenho do
governador Sérgio Cabral, que jogou pesado no candidato de seu
partido, Eduardo Paes; e por uma declaração muito infeliz de
Gabeira, quando disse que uma vereadora da baixada que lhe
prometera apoio "não tinha visão política". O comentário foi
exaustivamente usado por Paes, que conseguiu assim
desestabilizar a campanha de Gabeira naquela região. Para o PV,
foi um excelente resultado eleitoral. Mesmo derrotado, Gabeira
saiu fortalecido, e com ele o partido. Para uma candidatura que
nasceu apenas para fazer boa figura, a derrota apertada para
Paes e todos os seus apoios soaram como vitória.
Para o PV, que
há muito tempo não dava as caras no cenário político fluminense,
sempre concorrendo com candidaturas que na verdade eram projetos
pessoais e não partidários, foi um tiro certo. A candidatura de
Marina Silva é disparado o projeto que mais lhe interessa ao
partido, e não é para menos, ter uma candidata com o potencial
da ex-ministra, com a história de vida dela e o campo político
que ela atua, não acontece a toda hora. Por isso, a decisão de
lançar Gabeira ao Senado tenha sido a mais conveniente.
O cenário
estadual, na verdade, não favoreceria Gabeira, principalmente
com a entrada de Anthony Garotinho no circuito. Cabral e seu
vice "Pezão" e mais Garotinho vão pegar cada um a sua fatia dos
votos do interior e ver o que sobra nas zonas Oeste e Sul. Com o
maior colégio loteado, esses votos deverão caminhar em direção
das urnas do governador Sérgio Cabral, pela força da máquina e a
troca de favores com os prefeitos da região. Em Niterói, por
exemplo, nunca se viu tantas placas do governo do Estado.
Asfalto, corredor viário do Fonseca, reforma de escolas etc.
Seria muito difícil para o PV segurar uma campanha desse
tamanho. Os acordos já estão feitos há muito tempo e seria
difícil reverter esse quadro.
A eleição para
o Senado também é majoritária e independe um pouco dessas
demandas todas. O candidato tem à sua disposição o candidato ao
governo, os deputados federais e estaduais pedindo votos para
sua candidatura. Como são duas vagas desta vez, e como os nomes
que estão colocados até agora, Jorge Picciani (presidente da
Alerj), Lindberg Faria (prefeito de Nova Iguaçu) e Gabeira e
outros com chances menores de sucesso, a coluna apostaria em
Picciani e Gabeira para representar o Estado do Rio no Senado.
Essa é uma
visão de agora, mas como o quadro político muda muito rápido,
pode ser que apareça alguma coisa nova.