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Edição 738 - Semana de 7 a 13 de novembro de 2009
..::data e hora::..    00:00:00

Política   Leonardo Aguiar   politica@folhanit.com.br


Quem manda, afinal?

Está cada vez mais difícil saber. Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o senador Expedito Junior (PSDB), de Rondônia, tivesse o seu mandato cassado por acusações de abuso econômico nas eleições de 2006. Expedito já tinha recebido sentença semelhante do TRE estadual. Recorreu ao Supremo, que afinal deu o veredicto.

O procedimento correto seria que, assim que chegasse o expediente do STF ao Senado, este, na figura de seu presidente, acataria sumariamente a determinação. Esse seria o certo, afinal, ordem judicial de qualquer instância se cumpre, não se discute. Ainda mais do Supremo. Mas como no Brasil, de uns tempos para cá, nenhum poder tem mais moral para determinar alguma coisa, de envolvidos que estão em vários escândalos... E isso vai criando uma cultura, um caldo que, de repente, um deles resolve não obedecer e pronto.

Foi o caso do Senado. O presidente José Sarney, se aproveitando de uma filigrana do texto enviado pelo Supremo, entendeu que não caberia a ele tal procedimento. Claro, Sarney é daqueles que não querem ficar mal com ninguém, nem quando a decisão final não é dele, como era o caso. Mas o caldo, a cultura política brasileira estabelece que político não pode desagradar a ninguém - aliás um grande erro de interpretação.

Sarney, para tirar o seu da reta, quis entender que quando o texto diz "...que a mesa diretora..." Pronto, foi o suficiente. O STF não disse que caberia a ele, presidente, fazer valer a tal determinação. Prontamente, a Mesa Diretora, sob sua orientação, mandou o abacaxi para a Comissão de Constituição e Justiça.

Enquanto isso tudo acontecia, o pobre suplente, Acir Gurcaz, que deveria ter assumido o mandato de Expedito, andava para lá e para cá com a família, que veio de Rondônia para ver sua posse. Voltaram todos frustrados para casa porque só na semana que vem é que a CCJ, cujo presidente é o senador Demóstenes Torres, se pronunciará.

A confusão foi grande, e o engraçado foi a alegação de Expedito de que não teve tempo suficiente para se defender. Mas a eleição foi em 2006, estamos terminando 2009! Três anos é pouco tempo para que um senador eleito prove que não abusou do uso de dinheiro em sua campanha política? Francamente!

Na outra ponta, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, ficou com cara de bobo, irritadíssimo com a decisão de Sarney, afinal, a maior Corte de Justiça do País foi desrespeitada. Gilmar foi duro ao dizer não acreditar que a decisão deixe de ser cumprida, mas seu colega Marco Aurélio Mello sugeriu que o Brasil fosse fechado para balanço. Cada um que puxe a sardinha para o seu lado. Afinal, num momento como esse, todo mundo quer aparecer um pouquinho. O senador Expedito ganhou uma sobrevida de uma semana, no máximo, mas não conseguirá sair bem dessa. Vai mesmo perder seu mandato.

O caso do senador Expedito ilustra bem a dificuldade que os tribunais encontram para cassar políticos no Brasil. O assunto é recorrente, mas nada é feito para reverter essa a situação. Três anos para cassar um mandato, seja de quem for, é tempo demais. O corporativismo que se viu nesse caso também é recorrente. Como mais da metade do parlamento brasileiro responde a algum tipo de processo, o sentimento de que "hoje é ele, amanhã pode ser que seja eu" inviabiliza um julgamento isento. Foi assim com Renan Calheiros, recentemente, quando o plenário do Senado o inocentou e manteve seu mandato. Para o Senado, pagar contas pessoais com dinheiro de empreiteiras, sendo o beneficiado um senador da República, não é nada demais.

É a política brasileira. Assim são os nossos políticos. Como diziam os mosqueteiros, um por todos e todos por um. O problema é que na história eles defendiam o Rei, tinham um ideal. Aqui, cada um cuida do seu reino particular.

 


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