A expectativa de vida do brasileiro vem crescendo a
cada ano. Segundo o IBGE, o índice é de 71,3 anos de vida. Com isso, o
número de brasileiros que estão na terceira idade chega a 21 milhões. Um
estudo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot)
aponta que, paralelas à longevidade, surgem as fraturas decorrentes de
acidentes domésticos. Para a instituição, o melhor caminho é a
prevenção.
O
Brasil tem cerca de 13 milhões de pessoas com mais de 60 anos,
responsáveis por um terço dos atendimentos de lesões traumáticas nos
hospitais, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total,
aproximadamente 75% das lesões se originam de tombo na própria casa do
paciente. O estudo revelou também que 24% das quedas com fraturas
ocorrem no quintal devido à presença de obstáculos, como terrenos
irregulares e degraus.

Especialistas garantem que os acidentes poderiam ser evitados, caso os
idosos vivessem em ambientes mais favoráveis. O estudo apontou que 34%
das quedas geram algum tipo de fratura e que elas ocorrem no trajeto
quarto-banheiro principalmente à noite. O cômodo foi descrito como o de
maior risco, onde acontecem 46% das fraturas domiciliares.
Segundo o ortopedista da clínica Centro da Dor, em Icaraí, o médico
Rodrigo Corredeira, medidas simples podem evitar tais acidentes
domésticos que, muitas vezes, causam lesões permanentes ou até óbito.
Ele aconselha que os idosos mantenham a casa bem iluminada e modifiquem
a estrutura dos banheiros. "O banheiro é um dos principais lugares de
queda de idosos. É fundamental que pisos de cerâmica e porcelanato sejam
substituídos por material antiderrapante. Uma opção é aplicar fitas
adesivas antiquedas no chão. Toalhas e tapetes precisam ser tirados do
caminho. O vapor do chuveiro faz com que o cômodo fique escorregadio",
aconselhou.
Outra forma de evitar tombos é fazendo uso de lâmpadas de baixa potência
durante toda a noite. De acordo com o ortopedista, o equipamento pode
ser instalado próximo ao chão, para que o idoso tenha mais facilidade de
enxergar o caminho. "O pior de tudo são as conseqüências que uma queda
pode provocar na vida do idoso. Uma fratura de fêmur, por exemplo,
mobiliza toda a família do paciente. Além disso, a cirurgia não é feita
de um dia para o outro e o doente ainda tem de se submeter à transfusão
de sangue". O médico ressalta que as complicações clínicas causadas
pelas fraturas de quadril, como a pneumonia, podem levar à morte.