Não há de haver estranhamento em repetir o
grande poeta, pois vive-se e ama-se Niterói de uma forma tão
intensa que neste 22 de novembro nosso coração nativo bate um
pouco fora de compasso, mas é de paixão.
Penso nas gerações que construíram, pouco a
pouco, todas as coisas que desfrutamos hoje. Preguiçosamente, me
pego olhando o mar que se desenha sobre a areia - agora invadido
pela obra magistral de Niemeyer - lindas formas de concreto que
avançam em direção às águas.
Aqui tem o chá e as mil delícias da "Beira
Mar", que recompõem nossa alma e adoçam nossas bocas. Têm ruas
repletas de gente bonita, têm montes sinuosos cheios de poesia.
Ah... quantos anos ainda viveremos para amá-la?
Quem conhece esta cidade costuma dizer que
cultivamos hábitos de cidade pequena. Será esse o segredo?
Igual mãe generosa, produziu filhos dignos,
talentos admiráveis, nomes que adjetivam os esportes, a
política, a literatura. Em cada esquina, as crianças e os jovens
continuam a moldar sonhos (aqui, cabem todos).
As árvores de nossa infância ainda acolhem as
lembranças que ficaram nos trilhos do bonde, na brisa que tocou
o rosto das meninas de saias plissadas azul marinho em suas
viagens de casa até a escola primária.
Há mais de um século, as barcas ouvem nossas
conversas a caminho do trabalho, segredos dissolvidos pelo vento
forte que sopra sobre a baía de Guanabara.
Niterói é grandiosa, misteriosa: é frasco de
perfume que não se conhece a fórmula.