Música alta pode causar problemas
auditivos
Augusto Morais
Especialistas
afirmam que, cada vez mais, pessoas expostas a altos ruídos estão
sujeitas à perda progressiva da audição. Os sinais de alerta para o
problema, que muitas vezes é assintomático, podem ser zumbido nos
ouvidos, irritação, insônia e depressão. Segundo a Sociedade Brasileira
de Otologia, a poluição sonora é considerada um problema de saúde
pública, com índices alarmantes semelhantes ao da água e do ar.
A
perda de audição afeta 10% da população mundial. No Brasil, cerca de 15
milhões de pessoas têm deficiência auditiva e 350 mil não ouvem
absolutamente nada. Segundo otorrinos e fonoaudiólogos, ruídos acima de
50 decibéis podem causar lesões no aparelho auditivo.
A
deficiência auditiva tem sido diagnosticada, cada vez mais, entre
jovens. Estudos apontam alguns hábitos como vilões na contribuição para
o aumento do problema. Crianças, adolescentes e adultos adotaram objetos
como Ipods e MP3 como peças indispensáveis em suas vidas. No entanto, o
tempo de exposição ao alto volume de músicas colabora para a perda
auditiva prematura. Para agravar ainda mais o quadro, algumas pessoas
ainda têm por hábito frequentar casas de show e boates, onde é comum
música em altíssimo volume.
É indicado ‘repouso
auditivo’
A
população deve tomar alguns cuidados para preservar a audição, diante de
um mundo tão barulhento. Quem trabalha exposto ao barulho constante deve
utilizar equipamentos de proteção, como prevê a lei. "O uso persistente
de aparelhos, como MP3, pode prejudicar a audição quando o volume
estiver acima do tolerado", explicou a fonoaudióloga Marcela Brandão.
Especialista em audiologia, ela recomenda que frequentadores de boate
façam "repouso auditivo" após passarem horas sob constante barulho.
O
coordenador de audiologia da Associação de Pais de Deficientes Auditivos
– APADA, o fonoaudiólogo João Ney de Souza, lembra que a hipoacusia –
baixa auditiva – não é percebida pelo doente. "O importante é que a
pessoa não fique exposta ao barulho excessivo. Primeiramente, pessoas
com esse hábito podem deixar de ouvir sons ambientes e, mais tarde, sons
da fala. Mas quando isso acontece, a doença já está avançada", alerta.
Exames periódicos podem contribuir para detectar a doença em seu início,
afirmam os especialistas. Em Niterói, a APADA – Associação de Pais e
Amigos dos Deficientes da Adição, conta com ambulatório de
otorrinolaringologia e atende à comunidade através de convênio com o
Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição também oferece exames
audiológicos. A APADA fica na Rua General Andrade Neves, 307, em São
Domingos.
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