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Edição 740 - Semana de 21 a 27 de novembro de 2009
..::data e hora::..    00:00:00

Política   Leonardo Aguiar   politica@folhanit.com.br


O clima como palavra de ordem

A campanha presidencial ganha vulto internacional no início de dezembro, quando pelo menos três candidatos estarão apresentando projetos na 15ª Conferência Mundial de Mudanças Climáticas, em Copenhague: a senadora Marina Silva (PV), a ministra Dilma Rousseff (PT) e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Essa grande adesão à questão ambiental e todo esse esforço que o governo federal está fazendo para anunciar uma agenda positiva para o clima mundial têm nome: Marina Silva.

Depois da saída dela do PT, ingresso no PV e anúncio de sua candidatura à presidência da República, a questão do clima e do meio ambiente se tornou, de repente, importantíssima. Marina, quando ministra do governo Lula, perdeu quase todas as batalhas em que precisou do apoio do governo. Como essa agenda não existia, tudo que ela precisava "ficava para depois". Marina nunca meteu medo no governador Blairo Maggi, do Mato Grosso, um dos maiores plantadores de soja do País e que, por conta de seu negócio, não viu o desmatamento em seu estado crescer assustadoramente.

Marina também teve dificuldades extremas com a direção e com o corpo de funcionários do IBAMA, completamente integrado, ou melhor, "entregado" aos madeireiros. A senadora é nativa da Amazônia, conhece como ninguém aquela terra, tem amor por ela e entendeu rápido qual o papel daquela floresta, não só para os brasileiros como para o mundo. Ela conquistou prestígio e reconhecimento internacional, mas não de seu governo. Ganhou pecha de ministra chata, que ia a Brasília pedir o que ninguém queria dar ou sugerir uma briga que ninguém queria comprar. O PT do Lula e o próprio presidente não estavam muito interessados nessas questões, o foco sempre foi não desmontar a grande aliança política que sustentará a próxima campanha.

A ministra cansou disso tudo e pediu para sair. O susto inesperado e as críticas internacionais acordaram o governo. Marina como candidata leva uma grande vantagem sobre todos no que diz respeito ao tema, sabe como ninguém o que está falando e o que diz tem eco. A candidata do governo, pouco afeita a esses temas e menos ainda à lida político-partidária, teve que correr para aprender o que é meio ambiente e o quanto ele é importante para a vida do cidadão. Foi o primeiro capítulo.

O presidente arriscou tudo e vai despachar Dilma para Copenhague como chefe da delegação brasileira e lá ela vai dizer que o Brasil se compromete a reduzir suas emissões de gases em 39% para os próximos anos. Não se sabe se haverá oportunidade do confronto entre as duas, mas se houver, será muito ruim para Dilma e para o governo brasileiro.

O governador José Serra foi mais esperto. Sabedor de que o tema não o ajuda, já que governa a cidade com maior índice de poluição do ar do Brasil, tratou de botar na rua, na semana passada, um programa chamado Política Estadual de Mudanças Climáticas. Um nome pomposo e uma legislação tão abrangente quanto vaga, mas que tem a função que serve ao governador. Sem o programa, Serra não estaria em Copenhague junto com Dilma e Marina.

O fato é que o clima vai ficar quente na conferência mundial. Todos à caça de holofotes e espaço para serem ouvidos. A conferência é extensa, serão 11 dias de debates mais os debates paralelos, espaços para as ONGs etc. Vai sobressair quem tiver alguma coisa consistente para dizer. Ao que tudo indica, quem se sairá muito bem desse encontro será a senadora Marina Silva. Pelo menos lá ela deve largar na frente.

 


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