A campanha presidencial ganha vulto
internacional no início de dezembro, quando pelo menos três
candidatos estarão apresentando projetos na 15ª Conferência
Mundial de Mudanças Climáticas, em Copenhague: a senadora Marina
Silva (PV), a ministra Dilma Rousseff (PT) e o governador de São
Paulo, José Serra (PSDB). Essa grande adesão à questão ambiental
e todo esse esforço que o governo federal está fazendo para
anunciar uma agenda positiva para o clima mundial têm nome:
Marina Silva.
Depois da saída dela do PT, ingresso no PV e
anúncio de sua candidatura à presidência da República, a questão
do clima e do meio ambiente se tornou, de repente,
importantíssima. Marina, quando ministra do governo Lula, perdeu
quase todas as batalhas em que precisou do apoio do governo.
Como essa agenda não existia, tudo que ela precisava "ficava
para depois". Marina nunca meteu medo no governador Blairo Maggi,
do Mato Grosso, um dos maiores plantadores de soja do País e
que, por conta de seu negócio, não viu o desmatamento em seu
estado crescer assustadoramente.
Marina também teve dificuldades extremas com
a direção e com o corpo de funcionários do IBAMA, completamente
integrado, ou melhor, "entregado" aos madeireiros. A senadora é
nativa da Amazônia, conhece como ninguém aquela terra, tem amor
por ela e entendeu rápido qual o papel daquela floresta, não só
para os brasileiros como para o mundo. Ela conquistou prestígio
e reconhecimento internacional, mas não de seu governo. Ganhou
pecha de ministra chata, que ia a Brasília pedir o que ninguém
queria dar ou sugerir uma briga que ninguém queria comprar. O PT
do Lula e o próprio presidente não estavam muito interessados
nessas questões, o foco sempre foi não desmontar a grande
aliança política que sustentará a próxima campanha.
A ministra cansou disso tudo e pediu para
sair. O susto inesperado e as críticas internacionais acordaram
o governo. Marina como candidata leva uma grande vantagem sobre
todos no que diz respeito ao tema, sabe como ninguém o que está
falando e o que diz tem eco. A candidata do governo, pouco
afeita a esses temas e menos ainda à lida político-partidária,
teve que correr para aprender o que é meio ambiente e o quanto
ele é importante para a vida do cidadão. Foi o primeiro
capítulo.
O presidente arriscou tudo e vai despachar
Dilma para Copenhague como chefe da delegação brasileira e lá
ela vai dizer que o Brasil se compromete a reduzir suas emissões
de gases em 39% para os próximos anos. Não se sabe se haverá
oportunidade do confronto entre as duas, mas se houver, será
muito ruim para Dilma e para o governo brasileiro.
O governador José Serra foi mais esperto.
Sabedor de que o tema não o ajuda, já que governa a cidade com
maior índice de poluição do ar do Brasil, tratou de botar na
rua, na semana passada, um programa chamado Política Estadual de
Mudanças Climáticas. Um nome pomposo e uma legislação tão
abrangente quanto vaga, mas que tem a função que serve ao
governador. Sem o programa, Serra não estaria em Copenhague
junto com Dilma e Marina.
O fato é que o clima vai ficar quente na
conferência mundial. Todos à caça de holofotes e espaço para
serem ouvidos. A conferência é extensa, serão 11 dias de debates
mais os debates paralelos, espaços para as ONGs etc. Vai
sobressair quem tiver alguma coisa consistente para dizer. Ao
que tudo indica, quem se sairá muito bem desse encontro será a
senadora Marina Silva. Pelo menos lá ela deve largar na frente.