{"id":3133,"date":"2018-11-20T17:31:37","date_gmt":"2018-11-20T19:31:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=3133"},"modified":"2018-11-20T17:32:45","modified_gmt":"2018-11-20T19:32:45","slug":"niteroi-antiga-em-verso-e-boemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=3133","title":{"rendered":"Niter\u00f3i antiga em verso e boemia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><em><strong>Hist\u00f3rica Roda Liter\u00e1ria do Caf\u00e9 Paris ainda \u00e9 desconhecida para boa parte dos niteroienses<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><em><strong>Por Alexandre Brasil<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p>Niter\u00f3i significa \u201c\u00e1guas escondidas\u201d em tupi, mas, infelizmente, a \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica que deve ser citada como oculta na nossa cidade. Muitas est\u00f3rias importantes dessa terra, que correm o perigo de ficar no passado, s\u00e3o desconhecidas por grande parte da popula\u00e7\u00e3o pelo simples fato de n\u00e3o serem divulgadas e cultuadas. Poucos sabem, por exemplo, que na Avenida Visconde do Rio Branco, em frente \u00e0 esta\u00e7\u00e3o das Barcas, existia um estabelecimento chamado Caf\u00e9 Paris. E que neste lugar, no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, poetas, escritores, jornalistas e teatr\u00f3logos da cidade se reuniam para fazer poesia e viver boemia.<\/p>\n<p>A Roda Liter\u00e1ria do Caf\u00e9 Paris teve seu auge nas d\u00e9cadas de 1910 e 20, onde nomes como Luiz Gondim Leit\u00e3o (mais conhecido como Lili Leit\u00e3o), Luiz de Gonzaga, Jo\u00e3o da Ponte (pseud\u00f4nimo de Nestor Tangerini), Olavo Bastos, Gomes Filho, entre outros, frequentavam o restaurante no Centro da ent\u00e3o capital do Estado. E o que predominava nessa \u201croda\u201d era a poesia sat\u00edrica, no qual as \u201cv\u00edtimas\u201d eram, principalmente, os pr\u00f3prios companheiros de verso e copo.<\/p>\n<div id=\"attachment_3134\" style=\"width: 188px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3134\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-3134 size-full\" src=\"http:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/LUIZLEITAO.jpg\" alt=\"\" width=\"178\" height=\"169\" \/><p id=\"caption-attachment-3134\" class=\"wp-caption-text\">O poeta Luiz Leit\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Entre fuma\u00e7as de cigarro, x\u00edcaras de caf\u00e9 e copos de cacha\u00e7a, o jornalista e teatr\u00f3logo Lili Leit\u00e3o liderava a poesia no Caf\u00e9 Paris. Lyad de Almeida, em seu livro \u201cLili Leit\u00e3o, o Caf\u00e9 Paris e a vida bo\u00eamia de Niter\u00f3i &amp; Niter\u00f3i, poesia e saudade\u201d, diz que o professor e poeta Nestor Tangerini, forte em sintaxe \u2013 e especialmente em coloca\u00e7\u00e3o de v\u00edrgulas -, sempre tirava as d\u00favidas gramaticais dos amigos. Eis que Lili Leit\u00e3o, seu amigo mais pr\u00f3ximo, resolveu fazer-lhe uma trova:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cCaro amigo Tangerina,\/ Tu que \u00e9s mestre em virgular,\/ Por que n\u00e3o vais habitar\/ O morro da Virgulina?&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Era por esse bom humor que o ambiente do Caf\u00e9 Paris se destacava. Bo\u00eamio e improvisador nato, Leit\u00e3o lan\u00e7ou a moda dos epit\u00e1fios que o \u201cparisiense\u201d Brasil dos Reis lembrou, em entrevista ao jornalista Emmanuel Macedo Soares, para o jornal O Fluminense, em 1974. Um deles foi dedicado a Olavo Bastos, que era o que se chama de \u201cbom de copo\u201d:<\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuando morreu o Olavinho\/ os vermes &#8211; ai de quem morre!\/ com bafo de tanto vinho\/ ficaram todos de porre\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>O Caf\u00e9 Paris era um espa\u00e7o muito popular no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A historiadora niteroiense Nani Rodrigues lembra de uma caracter\u00edstica interessante do lugar.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO &#8216;Caf\u00e9&#8217; reunia um grupo bastante variado de intelectuais da cidade. Desde pessoas com alto poder aquisitivo, at\u00e9 os mais humildes. O que todos deveriam ter como regra era a boemia e o amor pelas letras&#8221;, salientou.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para o colecionador Nelson Tangerini, filho do Jo\u00e3o da Ponte, \u00e9 dif\u00edcil comparar os \u201cparisienses\u201d com algum outro movimento.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cFoi na mesma \u00e9poca dos modernistas de 1922, mas era diferente, at\u00e9 porque os rapazes de Niter\u00f3i n\u00e3o tiveram um empres\u00e1rio para banc\u00e1-los\u201d, disse Nelson, que completou: \u201cacho o Caf\u00e9 Paris de suma import\u00e2ncia para Niter\u00f3i. Foi o maior movimento liter\u00e1rio de nosso Estado. Merecia melhor tratamento por parte dos intelectuais ligados \u00e0 cultura da cidade. Muita coisa ainda circula na m\u00e3o de colecionadores \u2013 entre eles, M\u00f4naco e eu. Esse material devia ser resgatado, ir para uma entidade s\u00e9ria, talvez a UFF, para tornar-se livro e ser levado para as escolas e universidades&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n<p>Outro que acentuou a grandeza do movimento l\u00edtero-bo\u00eamio foi Jo\u00e3o Luiz de Souza, o Jo\u00e3o do Coruj\u00e3o. Respons\u00e1vel pelo Coruj\u00e3o da Poesia &#8211; evento que d\u00e1 espa\u00e7o \u00e0 arte do verso -, Jo\u00e3o compara as duas rodas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cExiste semelhan\u00e7a, mas o &#8216;Caf\u00e9&#8217; era mais amplo, era uma casa destinada ao evento, enquanto o &#8216;Coruj\u00e3o&#8217; \u00e9 peri\u00f3dico. Por\u00e9m, o esp\u00edrito \u00e9 o mesmo. Conversar, trocar ideias e destacar as poesias cl\u00e1ssicas, autorais e em conjunto\u201d, comentou.<\/p><\/blockquote>\n<p>O Coruj\u00e3o da Poesia \u00e9 um dos poucos movimentos culturais que ainda resgata a Roda do Caf\u00e9 Paris, recitando poesias daquela \u00e9poca.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 uma inspira\u00e7\u00e3o. Infelizmente n\u00e3o \u00e9 celebrado como deveria. A nossa miss\u00e3o \u00e9 disseminar o Caf\u00e9 Paris. Acredito que Niter\u00f3i poderia reconstituir aquele ambiente\u201d, falou Jo\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3135 alignleft\" src=\"http:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lancamento-do-livro-cafe-paris-os-precursores-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lancamento-do-livro-cafe-paris-os-precursores-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/lancamento-do-livro-cafe-paris-os-precursores.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Por\u00e9m, nem tudo \u00e9 esquecimento quando tratamos desse lugar especial para a poesia.\u00a0Em 2014, a Prefeitura de Niter\u00f3i publicou, por meio de sua editora Niter\u00f3i Livros e em parceria com a editora Novas Ideias, a obra &#8220;Caf\u00e9 Paris: Os precursores\u201d, de Maria Jos\u00e9 da Silva Fernandes e Em\u00edlio Maciel Eigenheer, que relaciona dez escritores que refletem uma faceta pouco conhecida, mas n\u00e3o menos importante do famoso caf\u00e9.<\/p>\n<p>O Caf\u00e9 Paris chegou ao fim na d\u00e9cada de 1940. Com a necessidade da abertura da Avenida Amaral Peixoto, muitas casas comerciais tiveram que ser demolidas. E o local que abrigou um dos grandes movimentos culturais do Brasil n\u00e3o foi exce\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, cada vez que resgatamos essa est\u00f3ria, o Caf\u00e9 Paris, com toda sua poesia, volta a existir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3rica Roda Liter\u00e1ria do Caf\u00e9 Paris ainda \u00e9 desconhecida para boa parte dos niteroienses Por Alexandre Brasil Niter\u00f3i significa \u201c\u00e1guas escondidas\u201d em tupi, mas, infelizmente, a \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica que deve ser citada como oculta na nossa cidade. 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