{"id":5604,"date":"2019-10-14T15:33:57","date_gmt":"2019-10-14T18:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=5604"},"modified":"2019-10-14T15:33:57","modified_gmt":"2019-10-14T18:33:57","slug":"caca-diegues-dedica-coluna-a-cultura-de-niteroi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=5604","title":{"rendered":"Cac\u00e1 Diegues dedica coluna \u00e0 cultura de Niter\u00f3i"},"content":{"rendered":"<p>Em sua coluna no jornal O Globo, o cineasta Cac\u00e1 Diegues elogiou Niter\u00f3i por inaugurar o seu novo complexo cultural, o Audit\u00f3rio Nelson Pereira dos Santos. E n\u00e3o s\u00f3 isso. No texto, o diretor fez quest\u00e3o de lembrar a sua liga\u00e7\u00e3o desde a inf\u00e2ncia com a cidade, a import\u00e2ncia de Niter\u00f3i no cinema brasileiro e os rumos tra\u00e7ados pela prefeitura para incentivar a cultura e, principalmente, o audiovisual no munic\u00edpio fluminense.<\/p>\n<p>Leia o texto na \u00edntegra:<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>Do Outro Lado da Ba\u00eda<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em><strong>Por Cac\u00e1 Diegues<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No final do ano passado, Renata Almeida Magalh\u00e3es, minha esposa e produtora, produziu, em Niter\u00f3i, o filme \u201cAumenta que \u00e9 rock\u2019n\u2019roll\u201d, dirigido pelo jovem realizador Tom\u00e1s Portella, a partir do livro \u201cA onda maldita\u201d, de Luiz Antonio Mello. O autor do livro foi o fundador da c\u00e9lebre R\u00e1dio Fluminense que, a partir de 1982, lan\u00e7ou todas as jovens bandas populares daquele momento e se tornou um sucesso \u00fanico entre a juventude das cidades pr\u00f3ximas, como o Rio de Janeiro. E ainda colaborou com uma renova\u00e7\u00e3o cultural e de costumes, para a nova democracia que se anunciava no horizonte.<\/p>\n<p>Voltei portanto a Niter\u00f3i, para onde, quando era crian\u00e7a, minha m\u00e3e me levava com meus irm\u00e3os, para tomar banho de mar no Saco de S\u00e3o Francisco. E onde, adolescente aspirante a cineasta, visitei Nelson Pereira dos Santos e sua fam\u00edlia, que ent\u00e3o moravam na cidade. Redescobri Niter\u00f3i.<\/p>\n<p>Todo estudioso do assunto sabe que a primeira sess\u00e3o de cinema na Am\u00e9rica do Sul, deu-se no Rio de Janeiro, na Rua do Ouvidor, em 8 de julho de 1896. Mas h\u00e1 controv\u00e9rsias quanto \u00e0 primeira imagem filmada no Brasil, a inaugura\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica no pa\u00eds. Minha aposta \u00e9 em Affonso Segretto que, com seus irm\u00e3os Paschoal e Caetano, se tornaria depois o mais importante grupo exibidor de cinema do Rio de Janeiro, a ent\u00e3o capital federal.<\/p>\n<p>A imagem que o empres\u00e1rio \u00edtalo-brasileiro registrou do navio em que voltava da Europa foi a da entrada da Ba\u00eda de Guanabara, com suas \u00e1guas transparentes protegidas pelos picos do Maci\u00e7o da Tijuca. E ainda as baleias que ali nasciam, se criavam e vinham mais tarde visitar. Seu projeto talvez fosse registrar a capital. Mas, ocupando inevitavelmente parte do enquadramento, l\u00e1 estava tamb\u00e9m Niter\u00f3i, do outro lado da Ba\u00eda, com suas praias e pr\u00e9dios serenos.<\/p>\n<p>Mais de um s\u00e9culo depois, Niter\u00f3i confirma essa presen\u00e7a fundadora, tornando-se uma esp\u00e9cie de futura capital brasileira do cinema. Semana passada, estive l\u00e1 para a inaugura\u00e7\u00e3o, pelo prefeito Rodrigo Neves, do Audit\u00f3rio Nelson Pereira dos Santos.<\/p>\n<p>Com 490 lugares, a sala \u00e9 parte de conjunto arquitet\u00f4nico de Oscar Niemeyer. Ela servir\u00e1 \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o de filmes, bem como a concertos, confer\u00eancias, espet\u00e1culos teatrais ou de m\u00fasica popular, como parte de um complexo cultural. Ali, o prefeito Rodrigo Neves anunciou, para o futuro pr\u00f3ximo, a cria\u00e7\u00e3o de um Museu do Cinema Brasileiro. Seria bem oportuno, porque, do jeito que o governo federal o tem tratado, nosso cinema pode mesmo desaparecer em breve.<\/p>\n<p>Quando a cultura se torna um alvo preferencial a ser abatido, com a elimina\u00e7\u00e3o de incentivos federais e a tentativa disfar\u00e7ada de reinstaurar a censura, a prefeitura de Niter\u00f3i abre os bra\u00e7os generosos para ela. Proporcionalmente a seu or\u00e7amento, Niter\u00f3i j\u00e1 \u00e9 a nona cidade do pa\u00eds que mais investe em cultura. E a primeira do estado. A atual prefeitura criou incentivos para que empresas locais possam abater do IPTU e do ISS aquilo que investirem na cultura. E qualquer produ\u00e7\u00e3o brasileira de audiovisual pode tamb\u00e9m se servir do fomento, quando utilizar a cidade como cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>A prefeitura de Niter\u00f3i tamb\u00e9m cuida da prepara\u00e7\u00e3o de profissionais da \u00e1rea, numa coopera\u00e7\u00e3o frutuosa com a Faculdade de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), uma das primeiras escolas de cinema do Brasil, fundada pelo mesmo Nelson Pereira dos Santos. Alguns desses profissionais participaram, com louvor, da equipe de \u201cAumenta que \u00e9 rock\u2019n\u2019roll\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o prefeito Rodrigo Neves, a Secretaria de Cultura do munic\u00edpio toca um Museu de Arte Popular; o Teatro Municipal, criado por Jo\u00e3o Caetano no s\u00e9culo XIX; uma companhia de bal\u00e9, como a do Municipal do Rio; o Arte na Rua, um apoio a artistas de rua; o Teatro Oscar Niemeyer; e o Aprendiz, programa de inicia\u00e7\u00e3o musical em escolas p\u00fablicas. \u201cInvestimos no Aprendiz\u201d, diz o prefeito, \u201cporque, como soci\u00f3logo e amante da cultura, tenho a convic\u00e7\u00e3o de que a crian\u00e7a e o adolescente que t\u00eam contato com a arte dificilmente vai, um dia, empunhar uma arma. A cultura \u00e9 fundamental para a autoestima de Niter\u00f3i, mas tamb\u00e9m para a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades e preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Como seria bom que o resto do Brasil seguisse esse exemplo de Niter\u00f3i.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua coluna no jornal O Globo, o cineasta Cac\u00e1 Diegues elogiou Niter\u00f3i por inaugurar o seu novo complexo cultural, o Audit\u00f3rio Nelson Pereira dos Santos. E n\u00e3o s\u00f3 isso. 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