{"id":6551,"date":"2020-07-05T15:43:47","date_gmt":"2020-07-05T18:43:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=6551"},"modified":"2020-07-05T16:09:30","modified_gmt":"2020-07-05T19:09:30","slug":"julgamentos-vulgares-por-marco-orsini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=6551","title":{"rendered":"JULGAMENTOS VULGARES &#8211; por Marco Orsini"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_6394\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6394\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-thumbnail wp-image-6394\" src=\"http:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Image-150x150.jpeg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><p id=\"caption-attachment-6394\" class=\"wp-caption-text\">Marco Orsini \u00e9 MD PhD M\u00e9dico com Forma\u00e7\u00e3o em Neurologia- UFF. Professor Titular da Universidade de Vassouras e UNIG. Professor Pesquisador da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Neurologia &#8211; UFF.<\/p><\/div>\n<p>Hoje est\u00e1 frio. Um frio que me assombra e parece estar vivo. Durante toda a minha trajet\u00f3ria de professor universit\u00e1rio nunca me apaixonei por ningu\u00e9m, muito menos paquerei minhas alunas. Era \u00f3bvio, pois fui casado por 17 anos. Tampouco julguei esse tal de romantismo e admira\u00e7\u00e3o que possuem por professores. Na verdade nunca me considerei um deles \u2013 gosto de ser chamado de Marco.<\/p>\n<p>Estou um pouco melanc\u00f3lico por tudo que estamos passando e por uma quest\u00e3o que atualmente tem chacoalhado meu cora\u00e7\u00e3o. Decidi escrever essa cr\u00f4nica para expressar que deveria existir uma lei contra os sentimentos puros dos nossos cora\u00e7\u00f5es. Se julgar \u00e9 at\u00e9 dif\u00edcil nos f\u00f3runs e nas bancas de mestrado e doutorado, imagina quando esse chega \u00e0s nossas atitudes. Os sentimentos e a intui\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o brinquedos que podem ser manipulados pela opini\u00e3o dos outros.<\/p>\n<p>Nunca condenei o passado de nenhum ser humano nem sequer julguei erros. J\u00e1 carreio os meus e n\u00e3o s\u00e3o poucos. Creio que nosso destino esteja em parte sendo norteado por Deus, entretanto observo muitas pessoas sendo persuadidas e achincalhadas por escolhas. Escolher e ser livre s\u00e3o uma das coisas mais importantes da vida \u2013 essa que roda com rapidez os ponteiros.<\/p>\n<p>A Carta de Tarot n\u00famero XX dos Arcanos Maiores \u00e9 a do Julgamento, que indica um Novo Ciclo de Vida. Quando essa surge sinaliza que os nossos pensamentos, palavras e a\u00e7\u00f5es est\u00e3o a ser julgadas nas esferas subtis, Deus (seja qual for a ideia que ele tiver) est\u00e1 a julgar as suas atitudes.<\/p>\n<p>Devemos por as m\u00e3os em nossa consci\u00eancia e decidirmos simplesmente&#8230;\u00a0 as mudan\u00e7as em nossa vida podem indicar o final e, posteriormente, um novo ciclo. Num relacionamento que enfrenta muitas dificuldades \u00e9 impressionante a quantidade de pessoas para proferir julgamentos. O grande problema s\u00e3o os milhares de pontos de interroga\u00e7\u00e3o postos num enc\u00e9falo que j\u00e1 possui poder decis\u00f3rio. Ningu\u00e9m deveria ser julgado quando o assunto \u00e9 amor; um adjetivo melhor aplicado poderia ser a palavra orientar.<\/p>\n<p>Canso de ouvir pais julgando filhos, parentes ofertando \u201cpitacos\u201d na vida de terceiros e uma indefini\u00e7\u00e3o do sujeito que deveria decidir por ele mesmo. Em alguns casos s\u00e3o proferidas palavras de baixo cal\u00e3o, dedos apontados diante da face e rea\u00e7\u00f5es na fisionomia. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua pr\u00f3pria dor e ren\u00fancia. Hoje me perguntaram o que eu achei sobre a tal aglomera\u00e7\u00e3o de jovens em determinado bar na zona sul do Rio de Janeiro. Meus olhos j\u00e1 deram a resposta sem julgar, mas tamb\u00e9m fizeram entender a quantidade de repress\u00e3o e, conseq\u00fcente, doen\u00e7as de cunho emocional que o confinamento est\u00e1 provocando.<\/p>\n<p>Possivelmente o leitor me perguntar\u00e1 se n\u00e3o achei uma cena absurda diante de milhares de mortes e dor alheia. Sinceramente, eu n\u00e3o iria; meus filhos se maiores de 18 anos receberiam uma orienta\u00e7\u00e3o sobre empatia e respeito com o outro. Provavelmente estariam alertas as minhas palavras, pois nunca os julgarei por nada nesse mundo \u2013 s\u00e3o escolhas que possuem um pre\u00e7o. Nesse caso podem custar caro para as outras pessoas.<\/p>\n<p>Voltando para a quest\u00e3o da cr\u00f4nica observo que as pessoas constroem barreiras cerebrais ao inv\u00e9s de atalhos sin\u00e1pticos. Criar liga\u00e7\u00f5es com outras pessoas tem os seus riscos e, felizmente\\infelizmente, nunca saberemos se dar\u00e1 certo. Tenho certeza que jamais teria um relacionamento amoroso pelo simples fato de estar ao lado de algu\u00e9m e me sentir numa posi\u00e7\u00e3o de comodidade \u2013 isso seria morrer em vida.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio explorar o mundo e as viv\u00eancias, obviamente, com cautela. Acho que s\u00f3 assim ficaremos mais ricos por dentro ou, contrariamente, viveremos numa gaiola, n\u00e3o num ninho.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o e Bento, papai sempre estar\u00e1 pronto para escutar e direcionar voc\u00eas, mas nunca impor. Se assim fosse entrar\u00edamos na est\u00f3ria da filha do campon\u00eas ser obrigada a casar com o senhor do engenho. Termino essa cr\u00f4nica e as \u00faltimas p\u00e1ginas do livro: Mozart: A Life in Letters by Wolfgang Amadeus Mozart.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente anda sempre em frente, n\u00e3o pode ir muito longe\u201d&#8230;O Pequeno Pr\u00edncipe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje est\u00e1 frio. Um frio que me assombra e parece estar vivo. Durante toda a minha trajet\u00f3ria de professor universit\u00e1rio nunca me apaixonei por ningu\u00e9m, muito menos paquerei minhas alunas. Era \u00f3bvio, pois fui casado por 17 anos. Tampouco julguei esse tal de romantismo e admira\u00e7\u00e3o que possuem por professores. 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