{"id":6884,"date":"2020-11-07T16:32:33","date_gmt":"2020-11-07T19:32:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=6884"},"modified":"2020-11-07T16:32:33","modified_gmt":"2020-11-07T19:32:33","slug":"conexoes-cinicas-por-marco-orsini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=6884","title":{"rendered":"Conex\u00f5es C\u00ednicas &#8211; por Marco Orsini"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_6394\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6394\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-thumbnail wp-image-6394\" src=\"http:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Image-150x150.jpeg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><p id=\"caption-attachment-6394\" class=\"wp-caption-text\">Marco Orsini \u00e9 MD PhD M\u00e9dico com Forma\u00e7\u00e3o em Neurologia- UFF. Professor Titular da Universidade de Vassouras e UNIG. Professor Pesquisador da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Neurologia &#8211; UFF.<\/p><\/div>\n<p>Essa cr\u00f4nica \u00e9 uma esp\u00e9cie de front em uma situa\u00e7\u00e3o de guerra. Um combate c\u00ednico, n\u00e3o civilizado e impiedoso com o nosso povo; acirrado com as campanhas eleitorais. Estamos observando um crescente vulc\u00e3o atroz de uma sociedade partida pela pobreza, tristemente combalida pela \u201crataria\u201d e descaracterizada sob todas as angula\u00e7\u00f5es. Impressionante como a qualidade humana piorou com a pandemia \u2013 como as pessoas se tornaram mais desqualificadas moralmente e menos espiritualizadas.<\/p>\n<p>O ato de matar, seja bandido ou her\u00f3i, agredido ou agressor, certo ou errado, parece normal. O Rio de Janeiro \u00e9 um campo de batalha com suas impress\u00f5es digitais borradas. Passamos da fase de medo, para o modo p\u00e2nico desde a eclos\u00e3o da COVID-19. Ser honesto aparenta uma esp\u00e9cie de trof\u00e9u; excelente m\u00e9dico uma raridade e um bom policial \u2013 uma esp\u00e9cie de garimpo. Eu defendo muito essas profiss\u00f5es. Nelas conhe\u00e7o pessoas, ou colegas de trabalho, que d\u00e3o duro 24 horas\/dia, sete dias por semana.<\/p>\n<p>Espanta-me esse novo mundo ou novo normal vivenciado. Fuzis \u00e0 tiracolos e drogas em pra\u00e7as p\u00fablicas s\u00e3o cenas que n\u00e3o mais provocam uma ebuli\u00e7\u00e3o nos nossos sistemas cerebrais. Por conta disso s\u00e3o crescentes os epis\u00f3dios de depress\u00e3o, p\u00e2nico, ansiedade, manias. Os Psiquiatras denominam de humor triste, altera\u00e7\u00f5es no processamento emocional, d\u00e9ficits cognitivos e anedonia. Atualmente \u00e9 not\u00f3ria uma ampla gama de fatores, que ladeiam os mecanismos biol\u00f3gicos por detr\u00e1s desses dom\u00ednios ou nomenclaturas, obviamente, com alvos para medicamentos espec\u00edficos e muita terapia.<\/p>\n<p>Uma grande quest\u00e3o que gostaria de abordar nessa cr\u00f4nica \u00e9 nosso alentecimento em sentir prazer, ou interesse que a sociedade atual proporciona. Todo cidad\u00e3o que rumina sentimentos e possui capacidade de racioc\u00ednio l\u00f3gico est\u00e1 acuado, com receio de algo, preocupado, tenso, catat\u00f4nico. Todos n\u00f3s queremos aquele Rio de Janeiro da Bossa Nova, que embora tamb\u00e9m tivesse lastros de sujeira era infinitamente melhor em qualidade humana.<\/p>\n<p>O mundo d\u00e1 voltas! Como poder\u00edamos acreditar, que chegar\u00edamos a esse nadir deplor\u00e1vel de \u201ccoincid\u00eancias\u201d catastr\u00f3ficas. Por que t\u00e3o fugazes as ruas se esvaziaram e todos voltamos para nossas resid\u00eancias preocupados? Eu queria entrar na cabe\u00e7a dos governantes, entender um pouco o que se passa l\u00e1 dentro, compreender esse monstruoso c\u00f3rtex, que eles montaram como castelos de areia; al\u00e9m do aberrante sistema de recompensa no qual denominamos de sistema l\u00edmbico. Quais as transforma\u00e7\u00f5es sin\u00e1pticas ocorrem no cora\u00e7\u00e3o cerebral desses inconsequentes?<\/p>\n<p>O Rio de Janeiro se transformou numa esp\u00e9cie de organismo doente, com seu processo de sinaliza\u00e7\u00e3o celular depauperado. \u201cO folclore parece ter sumido; estamos descendo ladeira\u201d. Alguns amigos n\u00e3o conseguem mais se \u201creciclarem\u201d biologicamente, pois essa engrenagem requer, \u00e0 primeira vista, uma capacidade de vislumbrar algo melhor \u2013 de alguma forma \u2013 seja l\u00e1 o que for.<br \/>\nN\u00e3o existe mais aquela encena\u00e7\u00e3o da luta de \u00edndios contra os caub\u00f3is. Gostaria de deixar uma pergunta para o meu amigo F\u00e1bio Porto, um dos maiores Neurologistas \u00e0 frente das Neuroci\u00eancias do Comportamento. Querido amigo, mesmo voc\u00ea conhecendo em mi\u00fados os meandros dos mecanismos no processo hed\u00f4nico, acha realmente poss\u00edvel construirmos uma racionalidade cl\u00ednica, para corrigir tal disfun\u00e7\u00e3o? Falo isso com o cora\u00e7\u00e3o aberto e amedrontado n\u00e3o por mim, mas principalmente com a sa\u00fade mental de nossa sociedade e, consequentemente, nossos filhos&#8230; Existe algum plano colateral para n\u00f3s, al\u00e9m de psicoterapia e medicamentos? Deixo minha d\u00favida.<br \/>\nDedico essa cr\u00f4nica para dois grandes amigos, que tamb\u00e9m dividem essas dores da alma comigo. Professores Jano Alves de Souza, Marco Ant\u00f4nio Ara\u00fajo Leite e Claudia Mendon\u00e7a (psic\u00f3loga de meus filhos).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essa cr\u00f4nica \u00e9 uma esp\u00e9cie de front em uma situa\u00e7\u00e3o de guerra. Um combate c\u00ednico, n\u00e3o civilizado e impiedoso com o nosso povo; acirrado com as campanhas eleitorais. Estamos observando um crescente vulc\u00e3o atroz de uma sociedade partida pela pobreza, tristemente combalida pela \u201crataria\u201d e descaracterizada sob todas as angula\u00e7\u00f5es. 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