{"id":7868,"date":"2022-09-16T15:47:53","date_gmt":"2022-09-16T18:47:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=7868"},"modified":"2022-09-16T15:47:53","modified_gmt":"2022-09-16T18:47:53","slug":"ampulheta-da-vida-por-paulo-sally-e-marco-orsini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=7868","title":{"rendered":"Ampulheta da vida &#8211; por Paulo Sally e Marco Orsini"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_7588\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-7588\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-thumbnail wp-image-7588\" src=\"https:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/cfea5b68-72ac-48be-a940-36a0109ef6ba-e1646583361758-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/cfea5b68-72ac-48be-a940-36a0109ef6ba-e1646583361758-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/cfea5b68-72ac-48be-a940-36a0109ef6ba-e1646583361758-440x440.jpg 440w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><p id=\"caption-attachment-7588\" class=\"wp-caption-text\">Paulo Sally \u00e9 Promotor de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro<\/p><\/div>\n<p>As reflex\u00f5es que me trazem \u00e0 folha s\u00e3o oriundas de algumas leituras. A obra, &#8220;Sobre a Brevidade da Vida&#8221;, do fil\u00f3sofo estoico S\u00eaneca, \u00e9 de uma riqueza contumaz. Leva-nos a refletir acerca de algo que nos \u00e9 \u00ednsito. A durabilidade do nascimento \u00e0 morte. Nada novo, apesar do pensamento sobre o tema nos levar a uma hip\u00f3tese: pode haver algo de surpreendente quando nos debru\u00e7amos realmente sobre o assunto. A vida \u00e9 suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, se a empregamos bem. Por\u00e9m, quando ela se esvai em devaneios e finalmente somos apresentados e constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela j\u00e1 passou por n\u00f3s, sem que tiv\u00e9ssemos percebido. A ampulheta terminou. N\u00e3o h\u00e1 mais areia. Diria Hamlet, nas palavras de Shakespeare: \u201cO resto \u00e9 sil\u00eancio\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_6394\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6394\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-thumbnail wp-image-6394\" src=\"https:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Image-150x150.jpeg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><p id=\"caption-attachment-6394\" class=\"wp-caption-text\">Marco Orsini \u00e9 MD PhD M\u00e9dico com Forma\u00e7\u00e3o em Neurologia- UFF. Professor Titular da Universidade de Vassouras e UNIG. Professor Pesquisador da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Neurologia &#8211; UFF.<\/p><\/div>\n<p>Concluiu o conselheiro de Nero: \u201cO fato \u00e9 o seguinte: n\u00e3o recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Tal como abundantes e r\u00e9gios recursos, quando caem nas m\u00e3os de um mau senhor, dissipam-se num momento, enquanto, por pequenos que sejam, se s\u00e3o confiados a um bom guarda, crescem pelo uso, assim tamb\u00e9m nossa vida se estende por muito tempo, para aquele que sabe dela bem dispor&#8221;.<\/p>\n<p>Para muitos, culpa da natureza. Ingrata, destruidora, trai\u00e7oeira e indiferente. Temos sempre que ter um tempo a mais de vida. N\u00f3s, \u00e9 ao que queremos bem. A vida passa depressa, o tempo voa e sempre nos falta mais alguns segundos que s\u00e3o subtra\u00eddos na descida incontinenti do rel\u00f3gio medidor e marcador do tempo. Por\u00e9m, pode ser que a natureza da qual nos queixamos tenha se mostrado benevolente: a vida, se souberes utiliz\u00e1-la, \u00e9 longa.<\/p>\n<p>Ocorre que, uma laboriosa dedica\u00e7\u00e3o a atividades in\u00fateis, uma ambi\u00e7\u00e3o sempre dependente das opini\u00f5es alheias, um incontido desejo de protagonizar, a paix\u00e3o pelos assuntos d\u00e9beis e f\u00fateis, uma servid\u00e3o volunt\u00e1ria a causa, a busca da beleza de um outro ou o cuidado com sua pr\u00f3pria ocupa a muitos. Aqueles que n\u00e3o perseguem nenhum objetivo s\u00e3o atirados a des\u00edgnios por uma vaga e inconstante leviandade. Desgostam-se com isso. Talvez, n\u00e3o definiram para onde dirigir sua vida, e o destino surpreende-os esgotados e bocejantes. A estes, pequena \u00e9 a parte da vida que vivemos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se confunda vida com tempo. Quanta neglig\u00eancia daqueles que adiam \u00e0 terceira idade e partir deste momento, querer come\u00e7ar a viver. Diria o Bobo, personagem da pe\u00e7a Rei Lear de Shakespeare: \u201cPobre Lear, ficou velho sem ficar s\u00e1bio\u201d. Parece ser pr\u00f3prio dos grandes n\u00e3o consentir que lhe tomem um instante sequer da vida. Destarte, toda sua vida torna-se longa, n\u00e3o importando quanto ela tenha durado. Suas emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o subordinadas aos outros. N\u00e3o encontrar\u00e1 ningu\u00e9m que julgue ter vivido dignamente a ponto de querer trocar sua vida com a dele. Portanto, a esse, seu tempo foi suficiente, mas \u00e0queles que tiveram muito de sua vida subtra\u00edda por outro, ela necessariamente faltou.<\/p>\n<p>Far\u00e1 o c\u00f4mputo dos dias de tua vida e ver\u00e1s que restaram muito poucos dias para ti mesmo. Fazem precipitar suas vidas e padecem da \u00e2nsia do futuro e de t\u00e9dio do presente. Desejam de imediato o amanh\u00e3, e com temor. Abandonam o que h\u00e1 de mais precioso, contudo, lhes escapam sem que percebam, pois \u00e9 um incorporal e algo que n\u00e3o salta aos olhos, por isso \u00e9 considerado muito desprez\u00edvel, e em raz\u00e3o disto, n\u00e3o lhes atribuem valor algum.<\/p>\n<p>O intelectual romano, profecia em sua obra: \u201cningu\u00e9m devolver\u00e1 teus anos, ningu\u00e9m te far\u00e1 voltar a ti mesmo. Uma vez principiada, a vida segue seu curso e n\u00e3o reverter\u00e1 nem o interromper\u00e1, n\u00e3o se elevar\u00e1, n\u00e3o te avisar\u00e1 de sua velocidade. Transcorrer\u00e1 silenciosamente e n\u00e3o se prolongar\u00e1. Correr\u00e1 tal como foi impulsionada no primeiro dia, nunca desviar\u00e1 seu curso, nem o retardar\u00e1. Que suceder\u00e1? Tu est\u00e1s ocupado, e a vida se apressa; por sua vez vir\u00e1 a morte, \u00e0 qual dever\u00e1s te entregar, queiras ou n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A morte nos pega bruscamente e desprevenidos. Indevidamente, n\u00e3o a sentimos chegar diariamente. Tal como uma conversa, uma leitura ou alguma reflex\u00e3o mais s\u00e9ria, distrai os viajantes, que se veem chegados ao destino sem notar que dele se aproximavam. Assim, essa cont\u00ednua e t\u00e3o r\u00e1pida caminhada da vida, que dormindo ou acordados fazemos no mesmo passo, termina. Os dias apresentam-se a n\u00f3s um a um, momento por momento, indiferentes e incontrol\u00e1veis em suas passagens. Assim n\u00e3o importa quanto tempo tens \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o se n\u00e3o tens como ret\u00ea-lo, ele vazar\u00e1 pelo funil da ampulheta.<\/p>\n<p>\u00c9 extremamente breve e agitada a vida dos que esquecem o passado, negligenciam o presente e receiam o futuro; quando chegam ao termo de suas exist\u00eancias, os pobres coitados compreendem tardiamente que estiveram por longo tempo ocupados em nada fazer.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que ningu\u00e9m tem a morte \u00e0 vista, todos estendem suas esperan\u00e7as ao longe, alguns chegam at\u00e9 mesmo a tomar disposi\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o a coisas que est\u00e3o al\u00e9m de suas vidas olvidando-se em viv\u00ea-las.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As reflex\u00f5es que me trazem \u00e0 folha s\u00e3o oriundas de algumas leituras. A obra, &#8220;Sobre a Brevidade da Vida&#8221;, do fil\u00f3sofo estoico S\u00eaneca, \u00e9 de uma riqueza contumaz. 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