{"id":8340,"date":"2022-12-13T19:50:27","date_gmt":"2022-12-13T22:50:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=8340"},"modified":"2022-12-13T19:50:27","modified_gmt":"2022-12-13T22:50:27","slug":"que-tempo-por-paulo-sally","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.folhanit.com.br\/?p=8340","title":{"rendered":"Que tempo? &#8211; por Paulo Sally"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_7588\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-7588\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-thumbnail wp-image-7588\" src=\"https:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/cfea5b68-72ac-48be-a940-36a0109ef6ba-e1646583361758-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/cfea5b68-72ac-48be-a940-36a0109ef6ba-e1646583361758-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.folhanit.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/cfea5b68-72ac-48be-a940-36a0109ef6ba-e1646583361758-440x440.jpg 440w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><p id=\"caption-attachment-7588\" class=\"wp-caption-text\">Paulo Sally \u00e9 Promotor de Justi\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro<\/p><\/div>\n<p>A conversa do almo\u00e7o de domingo fez-me refletir: Em que tempo vive a humanidade? Caro leitor, desculpe minha precipita\u00e7\u00e3o, deixa-me tentar me fazer mais claro, ou melhor, aguarde que vou procurar me explicar. Quando me refiro ao tempo na presente cr\u00f4nica, n\u00e3o falo de clima. N\u00e3o venho por aqui fazer alus\u00f5es \u00e0s possibilidades de chuvas, humidades ou calores infernais. Tamb\u00e9m n\u00e3o paro, nesse momento, para esclarecer-me sobre quest\u00f5es ambientais, como o aquecimento global, massas polares e camada de oz\u00f4nio. O di\u00e1logo anterior a siesta do primeiro dia da semana acendeu meus pensamentos sobre os conceitos de presente, passado e futuro.<\/p>\n<p>Por algumas leituras que perfiz, conheci fundamentos que inclusive recha\u00e7am tais tempos. Seriam eles cria\u00e7\u00f5es humanas alimentadas pela hist\u00f3ria? Nesse particular, sem adentrar em tais discuss\u00f5es, aprecio a erudi\u00e7\u00e3o de Santo Agostinho sobre o tema. Na criteriosa an\u00e1lise sobre o assunto, o intelectual religioso fez talvez a mais importante reflex\u00e3o sobre o tempo na hist\u00f3ria do pensamento, conforme o disposto no Livro XI da obra Confiss\u00f5es. Ao analisar o passado, o presente e o futuro, diz em breve s\u00edntese: o passado n\u00e3o \u00e9, pois \u00e9 o tempo que se afasta de n\u00f3s, \u00e9 tudo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais palp\u00e1vel, simplesmente porque j\u00e1 se foi. O presente \u00e9 o \u201cagora\u201d, mas se permanecesse sempre presente e n\u00e3o se tornasse passado, n\u00e3o seria mais tempo, e sim eternidade. Assim sendo, se o presente precisa se tornar passado para ser tempo, ele n\u00e3o \u00e9, porque o que \u00e9 n\u00e3o deixa de ser. O futuro tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9, j\u00e1 que ainda n\u00e3o existe, e quando existir deixar\u00e1 de ser futuro e passar\u00e1 a ser presente, que t\u00e3o logo j\u00e1 ser\u00e1 passado. Ap\u00f3s essas constata\u00e7\u00f5es, prossegue ipsis literis:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 impr\u00f3prio afirmar que os tempos s\u00e3o tr\u00eas: pret\u00e9rito, presente e futuro. Mas talvez fosse pr\u00f3prio dizer que os tempos s\u00e3o tr\u00eas: presente das coisas passadas, presente das presentes, presente das futuras. Existem, pois, estes tr\u00eas tempos na minha mente que n\u00e3o vejo em outra parte: lembran\u00e7a presente das coisas passadas, vis\u00e3o presente das coisas presentes e esperan\u00e7a presente das coisas futuras.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Reconhecida a genialidade para definir o tempo da alma, a teoria agostiniana n\u00e3o ataca o tempo do mundo. Esse tempo \u00e9 presente, passado e futuro, salvo engano. Por\u00e9m, em que tempo n\u00f3s vivemos? Como podemos caracteriz\u00e1-lo? Na minha inf\u00e2ncia era muito comum a seguinte pergunta entre meus pares: em que \u00e9poca voc\u00ea gostaria de ter vivido? Lembro-me que diante de tal dilema cada um, assumindo a figura de sua pr\u00f3pria vida, dedicava-se a vagar imaginariamente pelas veredas da hist\u00f3ria, em busca de um tempo em que o perfil de sua exist\u00eancia encaixasse com prazer. Atualmente, o que diria sinceramente qualquer criatura milenar, representativa do presente, se lhe fizessem uma pergunta parecida? Parece-me que n\u00e3o haveria embargos na senten\u00e7a. A figura do presente n\u00e3o tem d\u00favida de que sua vida \u00e9 mais vida que todas as antigas. Ponto final. Sem maiores delongas. Implac\u00e1vel, plena e irrecorr\u00edvel tal decis\u00e3o. Desta feita, n\u00e3o h\u00e1 suspeitas sobre eventuais decad\u00eancias. N\u00e3o se faz necess\u00e1rio recorrer-se aos cl\u00e1ssicos. O passado n\u00e3o \u00e9 uma continuidade do presente. A afirma\u00e7\u00e3o cont\u00e9m a ideia de uma nova era, desvinculada e seguramente melhor.<\/p>\n<p>Pois bem, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de formular a impress\u00e3o que nossa \u00e9poca tem de si mesma. Acredita, atrav\u00e9s de suas personagens, ser mais que as outras. Sente-se um come\u00e7o, por\u00e9m sem a certeza de ser uma agonia. Talvez, nosso tempo seja mais que os demais tempos e inferior a si mesmo. Fort\u00edssimo, e simultaneamente inseguro de seu destino. Orgulhoso de suas for\u00e7as, e ao mesmo tempo, com medo de suas pot\u00eancias. N\u00e1ufrago no meio de um oceano, que acredita que suas aulas de nata\u00e7\u00e3o em piscinas aquecidas podem levar a terra firme. Criador de um mundo melhor, que n\u00e3o arruma seus pr\u00f3prios len\u00e7\u00f3is.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conversa do almo\u00e7o de domingo fez-me refletir: Em que tempo vive a humanidade? 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