Colégio Marly Cury adota projeto educacional que estimula a imaginação, a escuta e as conversas em sala de aula

Experiência com o projeto Café com Leite na Escola reúne 280 alunos do Ensino Fundamental em atividades que começam com histórias em áudio e continuam em conversas, reflexões e atividades conduzidas pelos professores

Em um momento em que educadores e famílias discutem os efeitos do excesso de telas sobre a atenção das crianças, um colégio de Niterói decidiu experimentar um caminho aparentemente simples: pedir que os alunos fechem os olhos e escutem.

Desde o primeiro semestre deste ano letivo, os 280 alunos das 11 turmas do Ensino Fundamental do Colégio Marly Cury participam do projeto educacional Café com Leite na Escola, criado por Luciano Pires e Bárbara Stock, a partir do podcast Café Com Leite. A cada quinze dias, uma história em áudio se transforma no ponto de partida para conversas, perguntas e atividades conduzidas pelos professores.

Em algumas das experiências, os alunos utilizam vendas nos olhos para reduzir os estímulos visuais por alguns minutos e fazer com que prestem atenção apenas à história, às vozes, aos sons e à própria imaginação.

Quando o áudio termina, começa uma parte importante da atividade: a conversa.

Em vez de apresentar aos estudantes uma interpretação pronta, os professores são orientados a estimular perguntas, ouvir diferentes pontos de vista e ajudar as crianças a construir e explicar suas próprias ideias. Segundo a direção da escola, alguns dos assuntos discutidos em aula passaram a reaparecer espontaneamente nas conversas entre os próprios alunos fora da atividade.

O projeto trabalha habilidades socioemocionais, mas não se limita a elas. Os conteúdos e atividades são organizados em quatro grandes campos — Base Emocional, Pensamento Lógico, Construção do Caráter e Comunicação Eficaz — procurando desenvolver tanto a capacidade da criança de compreender suas emoções e relações quanto sua habilidade para raciocinar, argumentar, ouvir e se expressar.

Os professores recebem material didático para aprofundar os assuntos de cada episódio e adaptar a experiência à idade dos alunos. A escola também procura envolver as famílias no processo, informando aos pais quais temas foram trabalhados para que a conversa possa continuar em casa.

“As famílias também conseguem perceber esse envolvimento das crianças e acompanhar o que está acontecendo em sala de aula. Orientamos os professores a enviarem um bilhete contando o que foi feito e quais discussões aconteceram, para aproximar ainda mais as famílias desse trabalho”, afirma Tatiana Cury Paraizo, sócia-administradora do Colégio Marly Cury.

O Café com Leite na Escola nasceu do podcast Café com Leite, criado para famílias com crianças de 4 a 12 anos. Nos episódios, a socióloga e apresentadora Bárbara Stock conversa com Babica, uma personagem digital curiosa que traz para o universo infantil questões sobre emoções, comportamento, convivência, escolhas, comunicação e o mundo ao redor.

Na versão destinada às escolas, entretanto, o áudio é apenas o começo. A proposta é recuperar algo que pode parecer elementar, mas que se tornou cada vez mais precioso na educação: criar um espaço em que a criança pare por alguns minutos, escute com atenção, imagine, formule uma opinião e descubra que o colega pode ter entendido a mesma história de outra maneira.

No Colégio Marly Cury, essa conversa já começou.